Depois de conhecer o caminho que vamos percorrer em nosso estudo, como apresentamos no último artigo, primeiro desta nova série, convido agora o leitor a voltar no tempo, pelo menos uns 500 anos no passado para entendermos a Pré-História religiosa de nosso continente. E como nós somos em parte, frutos do ambiente em que vivemos, começaremos falando do espaço humano e religioso da América Latina.
Por ocasião da chegada do branco europeu, portugueses e espanhóis, que aqui vieram implantar as técnicas de colonização já largamente utilizadas na Europa e em algumas colônias que começavam a conquistar entre fins do século XV e começo do século XVI, o espaço geográfico continental já estava ocupado pelos povos indígenas, obrigando-se com isso a uma reestruturação feita pelas armas e pela sanha do colonizador.
Pré-História Religiosa da América Latina
Como Pré-História religiosa aqui nós entendemos tudo aquilo que se passou e a organização religiosa dos povos da América antes da chegada de Cristóvão Colombo e dos demais europeus.
O Espaço Latino-Americano:
Muitos historiadores afirmam que a geografia física da América Latina condicionou a sua história. Como exemplo disso, existem as correntes marítimas que condicionam o cultivo e este por sua vez a economia, na parte mais central do continente. Ainda hoje convivemos com o fenômeno conhecido como El Ninho que provoca mudanças no clima e na geografia econômica de nosso continente.
Espaço Físico:
O espaço físico da América Latina foi ocupado de forma irregular ao longo de um vasto período, sendo que as primeiras correntes de povoamento aqui chegaram por volta de 60 mil antes de Cristo. Estes primeiros povoadores vieram em levas sucessivas e foram se espalhando e ocupando todo o nosso continente a partir do Estreito de Bering que divide a América da Ásia. Este processo de povoamento sofreu os seguintes condicionamentos:
- A temperatura e clima condicionaram o povoamento, levando as maiores culturas a escolher as regiões mais altas. Isto explica o desenvolvimento da civilização dos Incas nos altiplanos do Peru e a presença dos Maias e Astecas nas regiões da América Central;
- Onde a precipitação pluviométrica anual aproximava-se dos mil milímetros se localizou 95% dos escravos na prática da agricultura na forma mais intensiva.
Os principais acidentes físicos também impõem certos condicionamentos, por isso para entender a forma como nosso continente foi ocupado é necessário levar em consideração os seguintes condicionantes:
- As grandes montanhas como a Cordilheira dos Andes e os grandes rios como o Amazonas;
- As Estepes como aquelas das regiões da Patagônia e dos Pampas gaúchos;
- As florestas antes impenetráveis como na região Amazônica;
- Alguns desertos e outras zonas áridas como de Arequipo e Atacama.
Todos estes fatores condicionam o transporte e a locomoção humana, explicando em parte, a localização das civilizações, sobretudo, no litoral e a dificuldade de se avançar rumo ao interior. Isto explica o fato de, até mesmo os portugueses terem ficado séculos próximos ao litoral, sem interiorizar a civilização.
Foto de: reprodução.

A geografia de nosso continente
condicionou a sua ocupação.
O Espaço Humano:
A Pré-História americana se fez entre o vazio do Oceano Atlântico e o complexo cultural do Pacifico. No Atlântico a Revolução Urbana só aconteceu com a chegada dos Europeus, no Pacifico já tinha acontecido desde a Pré-História. Próximo ao Oceano Atlântico não havia nenhuma cultura mais desenvolvida, sendo que isso só se dava mais próximo do Oceano Pacífico. Para melhor explicar a ocupação de nosso continente nós utilizamos o esquema dos Ciclos Socioeconômicos.
Ciclos Socioeconômicos de Ocupação
Primeiro Ciclo Pré-Histórico: Os coletores
Neste ciclo os povos em geral eram nômades, compostos por tribos de coletores, caçadores e pescadores que só trabalhavam para se apropriar dos produtos oferecidos pela natureza. Isto explica a sua quase total dependência da natureza que, na maior parte, é muito prodigiosa. Esta primeira ocupação se deu em regiões onde a temperatura girava ao redor dos 20 graus. A grande maioria dos povos indígenas do Brasil e dos EUA encaixa-se nesta condição.
A riqueza dos EUA e do Cone Sul está, em parte, condicionada à pobreza e escassa demografia da Pré-História.
Segundo Ciclo Pré-Histórico: Os cultivadores
Os povos deste ciclo se localizaram em regiões abaixo de mil metros de altitude e em regiões com clima de cerca de 20 graus e 1000 mm de precipitação anual. As regiões de chuvas sem cessar, exuberante vegetação e enormes distâncias continuavam abandonadas. Nas regiões de cultivo deste ciclo aconteceram as Reduções Jesuíticas ou a prática do escravismo.
Terceiro Ciclo Pré-Histórico: Altas Culturas Americanas.
Neste ciclo os povos ocuparam regiões altas (com mais de mil metros), temperatura ao redor de 20 graus e com menos de mil milímetros de precipitação pluviométrica. As regiões montanhosas, de clima temperado e sem excessiva umidade conheceram as chamadas altas culturas que, mesmo vivendo em outras épocas ou em outros contextos, poderiam tranquilamente se rivalizar com as altas culturas da Antiguidade do Oriente Médio.

Cidade de Teotihuacan: Na América Latina aconteceu a Revolução Urbana com a construção das cidades-estados dos maias e dos astecas.
Neste ciclo aconteceu a Revolução Urbana do Período Neolítico, veio o domínio da natureza com a construção de obras de engenharia como pontes, estradas e aquedutos. Aqui apareceram as grandes civilizações como os maias, astecas e incas, nenhuma delas, porém, em território brasileiro. Algumas destas civilizações florescentes depararam-se com o avanço dos colonizadores europeus.

Padre Inácio Medeiros, C.Ss.R.
Mestre em História da Igreja
pela Universidade Gregoriana
Escreve série sobre a
História da Igreja no Brasil
para o A12.com
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