Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam) Em Histórias de Vida

A falta que faz um padre

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Certa vez, o pároco de uma cidade do Norte do Brasil teve de viajar às pressas para a Itália, porque sua mãe estava muito mal e queria vê-lo. Aconteceu que a mãe continuou doente e, assim, o padre teve de permanecer na Itália.

A sua paróquia era a única na cidade, que tinha 60 mil habitantes, além da zona rural. E a cidade mais próxima, que tinha padre ficava a mais de 50 km.

Depois de três meses, o bispo conseguiu um padre para passar uns dias lá. Estradas de terra, péssimas. Quando o padre saiu do ônibus, na rodoviária, percebeu que todos olhavam para ele.

Quando começou a caminhar até a igreja, um menino aproximou-se e perguntou: “O senhor é o padre?” “Sim”, respondeu ele. O garoto deu um sorriso e saiu correndo. O padre percebeu que ele foi avisar na igreja.

Ao chegar à casa paroquial, após o café, a secretária da paróquia perguntou: “Eu posso avisar as pessoas que estão esperando o senhor?” O padre concordou. E começou a chegar gente.

Um dizia: “O senhor pode celebrar uma Missa pela minha mãe? Faz um mês que ela faleceu”. Uma senhora disse: “Fazem dois meses que meu marido morreu; podia rezar uma Missa por ele?”

Os casais jovens chegavam e diziam: “O senhor pode fazer o nosso casamento? Nós nos casamos no civil, está fazendo dois meses”. E assim por diante. E o padre anotava tudo.

De repente, chegou um jovem casal de um distrito pertencente à paróquia. Tinham se casado no civil fazia três meses. Como sempre, o padre perguntou a eles: “Vocês fizeram o curso de noivos?” Os dois responderam: “Somos nós que damos o curso de noivos lá! O padre quase chorou. Eles, que sempre deram o curso de noivos, motivando os noivos a se casarem na Igreja, quando chegou a vez deles, não havia padre!

Chegou um senhor e falou: “Eu sou o juiz de paz aqui da cidade. Posso chamar todos os casais que eu casei no civil nestes três meses? Porque todos queriam casar-se na Igreja”. O padre concordou e marcou uma data para o casamento comunitário. Compareceram mais de trinta casais. A igreja ficou lotada. A alegria dos casais era enorme. Depois de duas semanas, o padre teve de voltar para o seu trabalho.

Como que o padre é necessário! “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da colheita que envie trabalhadores para a sua messe!” (Mt 9,37-38).

Maria Santíssima é a Mãe dos sacerdotes. Que ela interceda junto de Deus por esses companheiros do seu Filho, e cuide dos jovens que aspiram a essa sublime vocação.

Escrito por:
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam)

Missionário redentorista, recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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