Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam) Em Histórias de Vida

A força da liberdade

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Numa aldeia de índios, um rapaz e uma moça decidiram casar-se. Ela era muito linda, a indiazinha mais bonita da aldeia. E ele, um jovem elegante, esbelto, corajoso, trabalhador e esperto. Os dois jovens eram a honra da aldeia. 

Eles queriam um casamento que durasse a vida toda. Por isso, procuraram o pajé para pedir um conselho. Disseram: “Nós nos amamos e queremos nos casar. O que fazer para que o nosso amor não acabe?” 

O pajé, em vez de aconselhá-los logo, deu a cada um uma tarefa. Disse para ele: “Suba esta montanha ao norte, levando uma rede, e pegue um falcão bem vigoroso. Depois traga-o aqui com vida. Deverá trazê-lo depois de amanhã cedo. 

E você, menina, deve escalar esta montanha ao sul, também com uma rede, e pegar uma águia. Traga-a para mim, viva”. 

Os jovens se retiraram e partiram para cumprir a tarefa. 

No dia marcado, lá estavam eles, na frente da tenda do pajé, cada um com a sua ave dentro de um saco. O velho apareceu, agradeceu o cumprimento da tarefa, e pediu que amarrassem as aves uma na outra pelas patas, com uma fita de couro. 

“Quando as tiverem amarrado, soltem-nas para que voem livremente”, disse o pajé. Os noivos fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros. 

A águia e o falcão tentaram voar, mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritados por não conseguir voar, arremessaram-se um contra o outro, até se machucarem.

O ancião disse: “Jamais se esqueçam do que estão vendo. Este é o meu conselho: Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, não só viverão se arrastando pela vida, como também logo começarão a brigar e a machucar-se mutuamente. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas livremente. Jamais se amarrem” 

A lição vale tanto para o amor matrimonial como para o amor a Deus, que é a fonte e o modelo de todo amor. O amor, quando é livre e espontâneo, torna-se forte. 

O amor de Maria Santíssima a Deus partiu do fundo do seu coração. Foi um amor livre e dedicado. Rainha de todos os santos, rogai por nós.

Escrito por:
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam)

Missionário redentorista, recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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