Certa vez, um homem foi até um lago, olhou-se no espelho da água, admirou-se e disse: Eu sou perfeito.
- Saiu ao encalço de uma caça e, com um golpe, a abateu. Depois disse: Eu sou forte.
- Subiu até o alto de uma montanha e, ao se ver nas alturas, exclamou: Eu sou grande.
- Com o atrito de duas pedras produziu fogo, e afirmou: Sou poderoso.
- Durante um dia de chuva, fez mil e um projetos e declarou: Sou inteligente.
- Ao escavar a terra, achou ouro e concluiu: Sou rico, não preciso de ninguém.
Passaram-se os anos. O homem voltou ao lago e, ao espelhar-se, verificou que a beleza desaparecera. Portanto, não era propriedade sua, tanto assim que não pudera conservá-la.
- Tentou abater uma caça e não conseguiu.
- Quis subir até o alto de uma montanha, deteve-se, porém, no caminho, sem forças.
- Com duas pedras obteve fogo, mas incendiou a floresta e ele correu o risco de morrer.
Acabou descobrindo que não conseguia mais realizar a maior parte dos seus sonhos. Então saiu pelas praças, pretendendo comprar com seu ouro o tempo passado. Contudo só lhe ofereciam coisas em troca e nada mais.
“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”, exceto amar a Deus e só a ele servir (Ecl 1,2).
Na Sagrada Escritura encontramos poucas palavras sobre a Virgem Maria, mas são como grãos de ouro puro. Se os fundirmos no fogo da contemplação, são suficientes para irradiar sobre toda a nossa vida o esplendor luminoso das virtudes.
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