Havia, certa vez, uma senhora idosa que morava sozinha e nunca tomava banho nem trocava de roupa. Sua casa era uma imundície. Quando andava pelas ruas, os moleques gritavam-lhe um apelido pejorativo e ela sempre respondia com palavras de baixo calão. Se alguém a cumprimentava, ela não respondia. Não se tinha notícia de algum parente seu.
Acompanhava-a um cachorrinho vira lata, também sujo igual a ela, que era o seu animal de estimação, seu único amigo.
Um senhor, quando ia para o trabalho, passava todos os dias em frente à sua casa. Como não tinha acesso a ela, teve a ideia de agradar o cachorro, visando aproximar-se da dona. Todos os dias ele trazia um pedaço de carne ou de linguiça e dava ao cachorrinho, que devorava no mesmo instante. Sua passagem já era ansiosamente esperada pelo cão, e também por sua dona.
Um dia, ela sorriu para o homem. Dias depois, abriu-lhe a porta de sua casa. Assim ele foi se aproximando devagar. Veio então a oportunidade do diálogo. A princípio palavras banais, mas depois ele puxava o assunto para Deus e para a Igreja.
Um dia, sua esposa o acompanhou, levando de presente para ela um vestido e um par de sapatos. Assim ela tomou banho, a primeira vez depois de muitos anos. A senhora conseguiu também, junto com algumas colegas, entrar na sua casa e fazer uma boa faxina. A maior alegria do casal foi quando a viu na Missa de domingo.
O nosso mundo atual é contraditório. Tem tanta tecnologia, tantas coisas bonitas, mas casos como esse ainda existem, e muitos. “Vinde benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que está preparado para vós desde o início do mundo.”
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