Havia, certa vez, um funcionário de uma firma, que todos os dias de manhã, quando ia para o trabalho, ao atravessar a linha do trem, dava três marteladas no trilho. Ao voltar, à tarde, fazia a mesma coisa. Fez isso durante trinta anos.
Um dia, ele se aposentou e o patrão lhe pediu que explicasse para o novo funcionário tudo o que ele fazia.
Logo de manhã, o homem levou o novo funcionário até a linha do trem e começou por ali a explicação. Pediu que ele desse três marteladas no trilho. E passou o dia explicando. À tarde, levou-o novamente até a linha do trem para que desse novamente as três marteladas.
Em seguida, o novo funcionário disse: “Eu lhe agradeço todas as explicações. Só não entendi por que essas três marteladas no trilho”.
O antigo funcionário respondeu: “Eu também não sei o motivo. Quando comecei a trabalhar nesta firma, a trinta anos atrás, o meu antecessor me ensinou a fazer isso, e eu o fiz até hoje”.
Nenhum grupo social vive sem tradições. Mas precisamos saber por que as seguimos, pois elas podem ficar caducas, tendo de ser atualizadas ou abolidas. O pior é seguir uma tradição sem saber por quê.
“Ninguém põe vinho novo em odres velhos... Para vinho novo, odres novos” (Lc 5,37-38).
Maria Santíssima, na hora da Anunciação, jogou-se inteiramente nas mãos de Deus, como uma criança se joga nos braços da mãe. Que ela nos ajude a fazer o mesmo, no seguimento do seu Filho, mesmo que tenhamos de abraçar o novo, completamente novo.
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