Em certa região, havia muitas cisternas. Todas tinham aquela borda, de mais ou menos um metro de altura, feita de tijolos, que em alguns lugares é chamada de boca da cisterna.
As bordas eram todas pintadas e enfeitadas, cada uma de um jeito diferente, numa espécie de competição entre as cisternas. Afinal, era o que todo mundo via.
Algumas até preenchiam a parte interna da borda com algum objeto bonito, para chamar a atenção, se alguém se aproximasse e olhasse para dentro.
As cisternas chegaram até a esquecer do principal delas, que é a água.
Um dia, uma delas, no afã de se enfeitar, tocou a água lá no fundo e teve uma sensação de paz maravilhosa.
Molhou-se toda e percebeu que se refrescou do calor do sol. Ela experimentou uma felicidade que nunca sentira.
Resolveu tirar um pouco de água e jogar na terra, em volta de si mesma. Resultado: Começaram a brotar flores e grama, ficando tudo verde e bonito.
As outras cisternas viram aquela transformação e imitaram. Assim, toda a região tornou-se um jardim.
O interessante foi que elas, um dia, descobriram que eram unidas, pois a água que tinham vinha de uma fonte suberrânea só, que estava na montanha ao lado. Sentiram-se irmãs e começaram a valorizar a montanha.
As cisternas somos nós. Preocupados com a nossa aparência, esquecemo-nos da Água Viva que trazemos dentro de nós. Isto gera um vazio insaciável, que vai encobrindo a graça de Deus, e assim não descobrimos a nossa identidade mais bela: Somos filhos de Deus.
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