Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam) Em Histórias de Vida

Chico Mendes

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Chico Mendes era presidente do sindicato dos seringueiros de Xapuri, no Acre. Havia lá um latifundiário chamado Darli, que queria derrubar dez mil hectares de seringais, mata nativa, dentro da floresta amazônica.

Chico procurou todos os meios legais para impedir esse desmatamento criminoso, mas ninguém o ouviu.

Então ele e os demais membros do sindicato inventaram uma estratégia que deu certo. As famílias ficavam de prontidão. Era só chegar alguém com uma motosserra, ou um trator, para derrubar as árvores, eles se posicionavam em fila, formando um cordão, entre a máquina e as árvores. Eram crianças, mulheres, homens, todos ali parados e não saiam.

A tática recebeu o nome de empate. Assim, pacificamente e sem nenhuma violência, conseguiram segurar a mata em pé durante três anos.

Até que Darci, a mando do pai, Darli, matou Chico Mendes, dando um tiro no seu coração. Era o dia 22/12/1988. Chico tinha 44 anos de idade. Era casado, pai de três filhos.

Prevendo a sua morte, ele disse um dia: “Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta”. De fato, não havia uma flor. Mas havia muita gente. Gente do mundo inteiro que ama a natureza.

Chico Mendes tinha uma verdadeira paixão pela natureza, especialmente pela floresta amazônica. Ele dizia: “Quero viver para defender a Amazônia”.

Desenvolveu um projeto de exploração das florestas, que rendia três vezes mais do que a derrubada da mata para transformá-la em pasto. Para ele, a mata pertence a todos, e ninguém tem o direito de derrubá-la. Isso vale para qualquer mata, qualquer árvore.

Veja outra frase que ele disse uma vez: “Poderão matar uma, duas, três roseiras; mas não poderão deter a primavera”. Isto indica que ele acreditava no ser humano. Achava que nós vamos vencer, barrar o avanço predatório e proteger a natureza em vez de destruí-la.

Chico Mendes era conhecido no mundo inteiro. Um ano antes de sua morte, em 1987, ele tinha recebido da ONU o “Prêmio global 500”, como o maior defensor da natureza naquele ano. No mesmo ano, em Nova Iorque, ele havia recebido uma medalha de uma entidade chamada “Sociedade por um mundo melhor”.

No Brasil, além de ser o presidente nacional dos seringueiros, já havia recebido diversos prêmios, devido à sua luta pela defesa da floresta amazônica. É chamado o mártir da ecologia. O exemplo de Chico Mendes é um convite a todos nós para amarmos e protegermos a natureza.

Escrito por:
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam)

Missionário redentorista, recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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