Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam) Em Histórias de Vida

Deixai as crianças virem a mim

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Havia, certa vez, uma criança de rua. Como muitas outras, ela não nasceu na rua. Foi a rua que, aos poucos, acabou se tornando a sua casa, pois a casa que era dela ficou perdida em sua memória. 

Um dia, quando seu tempo de vida ainda eras pouco, algo estranho aconteceu na sua casa... e aquela criança fugiu assustada, tomando o caminho da rua. 

Tornou-se como um pássaro ferido na asa, que se acostuma a andar como as galinhas. Assim, a criança se adaptou ao novo espaço, e na rua procurou se afirmar. 

O tempo voou. O endereço de casa se apagou, como se a vida inteira tivesse acontecido na rua. Quebrou a cara, sofreu, mas criou hábitos de proteção, defesa, refúgio, segurança. 

Houve tempo em que a rua se tornou um lugar agradável. Mas crescia dentro dela a sensação de abandono, sentimento de não estar em casa. A criança não cabia mais no espaço da rua, e a rua não preenchia o espaço daquela criança. 

Um dia, alguém abordou essa criança na rua e lhe perguntou: “Você gostaria de voltar para casa?” “Mas eu não sei onde é minha casa!” respondeu ela. A pessoa disse: “A gente procura juntos”. 

A criança não se entusiasmou pela ideia, porque sentiu medo de perder o pouco de espaço que tinha para viver. A sua cabecinha povoava de fantasias. Mas a pessoa a agradou, fez carinho... e ela concordou. 

Um dia, a pessoa chegou e disse: “Encontrei a sua casa!” A criança ficou assustada, com medo de mudar completamente de vida. Mas concordou em dar alguns passos. 

Tiveram de atravessar um túnel escuro, úmido e perigoso. A criança quis voltar para trás, mas a pessoa insistiu e entraram no túnel. 

Foi difícil, mas quando chegaram do outro lado, a paisagem era florida, os pássaros cantavam, e surgiu na criança uma vaga recordação da sua primeira infância. 

Depois de boa caminhada, a pessoa disse: “É aqui”. Mas havia uma escada para subir. As perninhas tremiam só de ver os degraus. Nessa hora, saíram de dentro da casa algumas pessoas dizendo que eram sua mãe, seu pai e seus irmãos. 

Todos a abraçaram. Só ela ficou medrosa e confusa. Mas, com o passar dos dias, tudo foi melhorando. Afinal, não havia motivo para ter medo. Tudo não passava de fantasias. 

No mundo, há milhares de “crianças” como esta, de 0 a 100 anos. Jesus quer que pensemos nelas e façamos alguma coisa, pelo menos nas orações. 

“Deixai as crianças, e não as impeçais de virem a mim, porque a pessoas assim é que pertence o Reino dos Céus” (Mt 19,14). 

Maria Santíssima foi na nossa frente. Nas bodas de Caná, na visita a Isabel, no apoio ao Filho e à Igreja nascente... Logo que Jesus nasceu, ela o apresentou aos pastores, aos reis magos, aos que estavam no Templo e a todos que podia. E continua esse trabalho nos seus santuários e em todas as Comunidades. “Maria do sim, ensina-me a dizer meu sim”.

Escrito por:
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam)

Missionário redentorista, recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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