Havia, certa vez, uma criança de rua. Como muitas outras, ela não nasceu na rua. Foi a rua que, aos poucos, acabou se tornando a sua casa, pois a casa que era dela ficou perdida em sua memória.
Um dia, quando seu tempo de vida ainda eras pouco, algo estranho aconteceu na sua casa... e aquela criança fugiu assustada, tomando o caminho da rua.
Tornou-se como um pássaro ferido na asa, que se acostuma a andar como as galinhas. Assim, a criança se adaptou ao novo espaço, e na rua procurou se afirmar.
O tempo voou. O endereço de casa se apagou, como se a vida inteira tivesse acontecido na rua. Quebrou a cara, sofreu, mas criou hábitos de proteção, defesa, refúgio, segurança.
Houve tempo em que a rua se tornou um lugar agradável. Mas crescia dentro dela a sensação de abandono, sentimento de não estar em casa. A criança não cabia mais no espaço da rua, e a rua não preenchia o espaço daquela criança.
Um dia, alguém abordou essa criança na rua e lhe perguntou: “Você gostaria de voltar para casa?” “Mas eu não sei onde é minha casa!” respondeu ela. A pessoa disse: “A gente procura juntos”.
A criança não se entusiasmou pela ideia, porque sentiu medo de perder o pouco de espaço que tinha para viver. A sua cabecinha povoava de fantasias. Mas a pessoa a agradou, fez carinho... e ela concordou.
Um dia, a pessoa chegou e disse: “Encontrei a sua casa!” A criança ficou assustada, com medo de mudar completamente de vida. Mas concordou em dar alguns passos.
Tiveram de atravessar um túnel escuro, úmido e perigoso. A criança quis voltar para trás, mas a pessoa insistiu e entraram no túnel.
Foi difícil, mas quando chegaram do outro lado, a paisagem era florida, os pássaros cantavam, e surgiu na criança uma vaga recordação da sua primeira infância.
Depois de boa caminhada, a pessoa disse: “É aqui”. Mas havia uma escada para subir. As perninhas tremiam só de ver os degraus. Nessa hora, saíram de dentro da casa algumas pessoas dizendo que eram sua mãe, seu pai e seus irmãos.
Todos a abraçaram. Só ela ficou medrosa e confusa. Mas, com o passar dos dias, tudo foi melhorando. Afinal, não havia motivo para ter medo. Tudo não passava de fantasias.
No mundo, há milhares de “crianças” como esta, de 0 a 100 anos. Jesus quer que pensemos nelas e façamos alguma coisa, pelo menos nas orações.
“Deixai as crianças, e não as impeçais de virem a mim, porque a pessoas assim é que pertence o Reino dos Céus” (Mt 19,14).
Maria Santíssima foi na nossa frente. Nas bodas de Caná, na visita a Isabel, no apoio ao Filho e à Igreja nascente... Logo que Jesus nasceu, ela o apresentou aos pastores, aos reis magos, aos que estavam no Templo e a todos que podia. E continua esse trabalho nos seus santuários e em todas as Comunidades. “Maria do sim, ensina-me a dizer meu sim”.
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