Há milhares e milhares de anos, havia um pequeno planeta que era habitado por duas raças inteligentes, chamadas “Diurnos” e “Noturnos”. Os Diurnos só eram ativos durante o dia. À noite dormiam e nada era capaz de tirá-los do sono. Os Noturnos só eram ativos durante a noite. Logo que os primeiros raios do sol raiavam, eles dormiam e nada podia acordá-los.
Os Diurnos e os Noturnos eram criativos. Aqueles escreviam poesias sobre as paisagens, as flores, o céu azul... Estes eram fascinados pela majestade dos céus e pela luz bruxuleante da lua e das estrelas, e faziam poesias.
Chegou enfim um tempo em que os Diurnos descobriram os trabalhos literários dos Noturnos. À medida em que os liam, sua curiosidade foi crescendo. Mas se perguntavam: Que história é essa de constelações, de estrelas, de lua?... E ficavam perplexos. Por fim, concluíram: Essas pessoas são sonhadoras. Nada disso existe. O mesmo aconteceu com os Noturnos. Esses Diurnos são sonhadores e ignorantes, pensavam.
Começaram a ver aquelas obras literárias como provocações. Assim, os dois povos deixaram de contemplar a natureza que viam e passaram a criticar o outro povo. Essas pessoas são mentirosas e estão nos insultando, diziam entre si.
As críticas ficavam cada vez mais hostis, até que começaram a suspeitar um do outro, e trocavam insultos. A inimizade foi crescendo a tal ponto que começaram a dizer a si próprios: Essa gente é perigosa, eles derrubam as nossas crenças e tradições. Se os deixarmos assim, eles vão subverter o nosso sistema de valores e destruir a nossa cultura. Portanto, esse povo é uma ameaça a nós.
Até que estourou uma guerra entre os Diurnos e os Noturnos. À noite, os Noturnos assassinavam os Diurnos adormecidos, e vice-versa.
Assim, destruiu-se a vida no pequeno planeta, o qual continuou girando silencioso e triste, sem ninguém para cantar as maravilhas luminosas do dia, nem os mistérios enluarados da noite.
As nossas ideias sobre o mundo ao nosso redor são condicionadas pela nossa cultura. Os Diurnos e os Noturnos estavam totalmente certos naquilo que cantavam e escreviam, mas eles viam só a metade da realidade.
Antes de brigar, precisamos ouvir o outro lado, que vem completar a nossa visão. Assim, juntos chegaremos à verdade. Quantos desentendimentos podiam ser evitados!
(Fonte: Peter Ribes, sj)
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