Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R Em Histórias de Vida

Dois povos brigaram à toa

Há milhares e milhares de anos, havia um pequeno planeta que era habitado por duas raças inteligentes, chamadas “Diurnos” e “Noturnos”. Os Diurnos só eram ativos durante o dia. À noite dormiam e nada era capaz de tirá-los do sono. Os Noturnos só eram ativos durante a noite. Logo que os primeiros raios do sol raiavam, eles dormiam e nada podia acordá-los.

Os Diurnos e os Noturnos eram criativos. Aqueles escreviam poesias sobre as paisagens, as flores, o céu azul... Estes eram fascinados pela majestade dos céus e pela luz bruxuleante da lua e das estrelas, e faziam poesias.

Chegou enfim um tempo em que os Diurnos descobriram os trabalhos literários dos Noturnos. À medida em que os liam, sua curiosidade foi crescendo. Mas se perguntavam: Que história é essa de constelações, de estrelas, de lua?... E ficavam perplexos. Por fim, concluíram: Essas pessoas são sonhadoras. Nada disso existe. O mesmo aconteceu com os Noturnos. Esses Diurnos são sonhadores e ignorantes, pensavam.

Começaram a ver aquelas obras literárias como provocações. Assim, os dois povos deixaram de contemplar a natureza que viam e passaram a criticar o outro povo. Essas pessoas são mentirosas e estão nos insultando, diziam entre si.

As críticas ficavam cada vez mais hostis, até que começaram a suspeitar um do outro, e trocavam insultos. A inimizade foi crescendo a tal ponto que começaram a dizer a si próprios: Essa gente é perigosa, eles derrubam as nossas crenças e tradições. Se os deixarmos assim, eles vão subverter o nosso sistema de valores e destruir a nossa cultura. Portanto, esse povo é uma ameaça a nós.

Até que estourou uma guerra entre os Diurnos e os Noturnos. À noite, os Noturnos assassinavam os Diurnos adormecidos, e vice-versa.

Assim, destruiu-se a vida no pequeno planeta, o qual continuou girando silencioso e triste, sem ninguém para cantar as maravilhas luminosas do dia, nem os mistérios enluarados da noite.

As nossas ideias sobre o mundo ao nosso redor são condicionadas pela nossa cultura. Os Diurnos e os Noturnos estavam totalmente certos naquilo que cantavam e escreviam, mas eles viam só a metade da realidade.

Antes de brigar, precisamos ouvir o outro lado, que vem completar a nossa visão. Assim, juntos chegaremos à verdade. Quantos desentendimentos podiam ser evitados!

(Fonte: Peter Ribes, sj)

Escrito por
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R

Mais conhecido como Padre Queiróz (in memoriam) recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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