Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R Em Histórias de Vida

O grito do profeta

Certa vez, um profeta foi a uma pequena cidade, a fim de converter o povo para Deus e para a Santa Igreja. No início, o povo ouvia as suas pregações. Mas depois foram se afastando, até que ninguém mais aparecia para o escutar.

Um dia, um viajante que passava pela cidade perguntou ao profeta:

- Por que você continua fazendo diariamente as suas pregações, se ninguém vem ouvi-lo? Você não percebe que a sua missão aqui fracassou?

O profeta respondeu:

- No início, eu pregava com esperança de mudar o povo. Agora, eu continuo pregando e gritando para mim mesmo, a fim de que eu não me deixe converter por eles.

Foi exatamente isso que Jesus pensou quando, ao enviar os discípulos para a missão, disse-lhes: “Se alguém não vos receber, nem escutar vossas palavras, saí daquela casa ou daquela cidade e sacudi a poeira dos vossos pés” (Mt 10,14).

Sacudir a poeira dos pés era um gesto usado pelos judeus quando regressavam ao próprio país. Sentido: Não trazer o culto às divindades pagãs e o modo de vida errado deles. Jesus usa o gesto para pedir aos discípulos que não aprendam os maus costumes do povo entre o qual exercem a atividade missionária, e este povo não aceita a Boa Nova. Os maus costumes das pessoas entre as quais vivemos grudam em nós como a poeira nos sapatos.

E Jesus acrescenta ao gesto um sentido profético, fazendo dele mais um convite à conversão. Foi o que fez este profeta.

O grande perigo é o cristão, que foi a um lugar para levar a Boa Nova e não foi ouvido, acabar sendo arrastado pelos maus costumes e virar o contrário: Em vez de ser fermento, é fermentado pelo mau fermento. Nós somos chamados a transformar o mundo pecador, não a sermos transformado por ele. “Cuidado com o fermento dos fariseus!” (Mt 16,6).

É muito difícil viver neste mundo cão, sem segui-lo. Por isso que Jesus criou a Santa Igreja, que tem a vida em Comunidade. Ali, uma criança ajuda a outra, um jovem ajuda o outro, um casal ajuda o outro... É como uma turma de mãos dadas, atravessando um atoleiro.

“Irmãos, fazei tudo sem murmurar nem questionar, para que sejais irrepreensíveis e íntegros, filhos de Deus sem defeito, no meio de uma geração má e perversa, na qual brilhais como luzeiros no mundo” (Fl 2,14-15).

Escrito por
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R

Mais conhecido como Padre Queiróz (in memoriam) recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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Por Pe. Queiróz, C.Ss.R., em Histórias de Vida

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