Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam) Em Histórias de Vida

O palhaço pesquisador

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Certa vez, um andarilho estava dormindo na frente de uma banca de jornal, debaixo da marquise. Quando o dono da banca chegou, de madrugada, acordou-o para abrir a porta, e o convidou para irem juntos ao bar ao lado, tomar um café. Em seguida, o convidou para irem juntos à redação do jornal, a fim de trazer exemplares do dia. 

O dono da banca percebeu que se tratava de um jovem de pouco mais de vinte e cinco anos. 

Como o andarilho ficou por ali, na hora do almoço, o dono da banca pediu que ele a olhasse, para ninguém mexer, que na volta lhe traria uma marmita. 

Resumindo, esse jovem, ex-andarilho, de tanto ir ao jornal, acabou arrumando um emprego lá. Como era inteligente, tinha estudo e boa comunicação, passou a fazer parte da equipe de pesquisa do jornal. Viajava pelos bairros e outras cidades, junto com os mais experientes, fazendo entrevistas. 

Um dia, ele pediu ao seu chefe licença para fazer uma entrevista numa cidade vizinha. Pegou o carro que ele usava, que tinha a tarja do jornal, e foi. Antes, porém, alugou uma roupa de palhaço e a vestiu. 

Ao chegar à cidade, foi direto a uma residência. Como era sábado, a família estava em casa. 

Apertou a campainha, veio um rapaz, ele se apresentou como da equipe de entrevistas do jornal, explicou que usava roupa de palhaço para a família se sentir mais a vontade, e pediu licença para fazer uma entrevista com a família. O rapaz que o recebeu, logo viu o carro oficial do jornal, acreditou e sentiu-se até honrado em dar a entrevista. 

De início, o entrevistador pediu que, se possível, toda a família estivesse presente. O rapaz foi lá dentro, chamou, e logo vieram. 

Ele pegou uma prancheta, com papel oficial do jornal, e fez a primeira pergunta: “Quantos filhos tem o casal?” O rapaz respondeu: “Cinco”.

- “Você é o mais velho?”

- “Não. Temos um irmão mais velho, mas ele não prestava e faz cinco anos que sumiu. Deve ter morrido.”

- “Ah! É? Como que era esse irmão?” 

O pai tomou a palavra e falou: “Aquele moleque era um marginal; vivia em más companhias fazendo coisas erradas. Ele era a vergonha da nossa família. Eu proibi até meus filhos de conversar com ele. Um dia, ele foi preso; passou uma semana na cadeia. Quando voltou, nós o expulsamos de casa. Tudo indica que já morreu”. 

Nisto, o garotinho disse: “Pai, o palhaço está chorando!” O menino caminhou até o palhaço e o abraçou. 

O “palhaço” não aguentou mais. Tirou a máscara e disse: “Pai, eu não morri não. Estou aqui”. Claro que naquela sala só virou choradeira. 

Temos aí um exemplo claro, por parte do pai e da família, de como não ser luz. E, por parte do filho-palhaço, o exemplo contrário: De como tornar-se luz. 

Maria Santíssima é somente luz. Peçamos a ela que nos ajude a sermos luz cada vez mais brilhante e a produzirmos bons frutos de fé, de testemunho e principalmente de amor aos excluídos.

Escrito por:
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam)

Missionário redentorista, recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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