Certa vez, um andarilho estava dormindo na frente de uma banca de jornal, debaixo da marquise. Quando o dono da banca chegou, de madrugada, acordou-o para abrir a porta, e o convidou para irem juntos ao bar ao lado, tomar um café. Em seguida, o convidou para irem juntos à redação do jornal, a fim de trazer exemplares do dia.
O dono da banca percebeu que se tratava de um jovem de pouco mais de vinte e cinco anos.
Como o andarilho ficou por ali, na hora do almoço, o dono da banca pediu que ele a olhasse, para ninguém mexer, que na volta lhe traria uma marmita.
Resumindo, esse jovem, ex-andarilho, de tanto ir ao jornal, acabou arrumando um emprego lá. Como era inteligente, tinha estudo e boa comunicação, passou a fazer parte da equipe de pesquisa do jornal. Viajava pelos bairros e outras cidades, junto com os mais experientes, fazendo entrevistas.
Um dia, ele pediu ao seu chefe licença para fazer uma entrevista numa cidade vizinha. Pegou o carro que ele usava, que tinha a tarja do jornal, e foi. Antes, porém, alugou uma roupa de palhaço e a vestiu.
Ao chegar à cidade, foi direto a uma residência. Como era sábado, a família estava em casa.
Apertou a campainha, veio um rapaz, ele se apresentou como da equipe de entrevistas do jornal, explicou que usava roupa de palhaço para a família se sentir mais a vontade, e pediu licença para fazer uma entrevista com a família. O rapaz que o recebeu, logo viu o carro oficial do jornal, acreditou e sentiu-se até honrado em dar a entrevista.
De início, o entrevistador pediu que, se possível, toda a família estivesse presente. O rapaz foi lá dentro, chamou, e logo vieram.
Ele pegou uma prancheta, com papel oficial do jornal, e fez a primeira pergunta: “Quantos filhos tem o casal?” O rapaz respondeu: “Cinco”.
- “Você é o mais velho?”
- “Não. Temos um irmão mais velho, mas ele não prestava e faz cinco anos que sumiu. Deve ter morrido.”
- “Ah! É? Como que era esse irmão?”
O pai tomou a palavra e falou: “Aquele moleque era um marginal; vivia em más companhias fazendo coisas erradas. Ele era a vergonha da nossa família. Eu proibi até meus filhos de conversar com ele. Um dia, ele foi preso; passou uma semana na cadeia. Quando voltou, nós o expulsamos de casa. Tudo indica que já morreu”.
Nisto, o garotinho disse: “Pai, o palhaço está chorando!” O menino caminhou até o palhaço e o abraçou.
O “palhaço” não aguentou mais. Tirou a máscara e disse: “Pai, eu não morri não. Estou aqui”. Claro que naquela sala só virou choradeira.
Temos aí um exemplo claro, por parte do pai e da família, de como não ser luz. E, por parte do filho-palhaço, o exemplo contrário: De como tornar-se luz.
Maria Santíssima é somente luz. Peçamos a ela que nos ajude a sermos luz cada vez mais brilhante e a produzirmos bons frutos de fé, de testemunho e principalmente de amor aos excluídos.
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