Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam) Em Histórias de Vida

O poder da doçura

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Certa vez, um viajante caminhava por uma estrada de roça, e viu um pequeno riacho que começava ali, timidamente, por entre as pedras. Ele ficou curioso e foi seguindo o riacho. Caminhou muito. Aos poucos, o córrego foi se tornando volumoso. Lá na frente, transformou-se em um rio caudaloso. O viajante continuou a segui-lo.

Bem mais adiante, o rio dividiu-se em várias cachoeiras, num espetáculo de águas cantareiras. A música das águas atraiu mais o viajante, que se aproximou e foi descendo pelas pedras, ao lado de uma das cachoeiras.

Descobriu uma gruta. A natureza a criara, com paciência e capricho. O homem foi adentrando a gruta, admirado ao ver as pedras gastas pelas águas.

De repente, descobriu uma placa. Alguém estivera ali e deixara um verso do grande escritor Tagore, prêmio Nobel de literatura de 1913: "Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança e sua canção”.

Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir. O mesmo acontece na nossa vida.

Existem pessoas que explodem por coisa nenhuma, e que desejam tudo arrumar aos gritos e pancadas. E existem os indivíduos que são suaves e sabem dosar a energia, tudo conseguindo.

Um sábio exemplo foi de Madre Teresa de Calcutá. Antes dela, e depois dela, tem se falado em altos brados sobre miséria, fome e enfermidades que tomam comunidades inteiras. Ela observou a miséria, a morte e a fome rondando os seus irmãos, na Índia. E tomou uma decisão: agir.

Começou sozinha, amparando nos braços um desconhecido que estava à beira da morte, em uma rua de Calcutá. Fundou uma obra que se espalhou, com suas casas de caridade, por quase todas as nações. Teve a coragem de se dirigir a governantes e homens públicos para falar de reverência à vida, de amor, de ação.

Não gritou, não esbravejou, cantou a música do amor, pedindo pão e afeto para os pobres mais pobres. Deixou o mundo físico, mas conseguiu esculpir as linhas mestras do seu ideal em centenas de corações. Como a água mansa, ela cantou nos corações e os transformou, moldando-os para a dedicação ao seu semelhante.

“(E Deus estava)... no murmúrio de uma brisa suave...” (1Reis 19,12).

Assim como os santuários marianos têm no centro o Tabernáculo, assim brilha Maria na Igreja como o tabernáculo de Jesus.

Escrito por:
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam)

Missionário redentorista, recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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