Numa ilha perto da Europa, a muitos séculos atrás, existia um jovem que era admirado por todos devido às suas virtudes. Ele era um verdadeiro artista da música. Compunha músicas e as tocava tão bem no seu violão, que todos ficavam extasiados.
Havia uma tradição na ilha, de que, no dia em que aparecesse uma estrela diferente no céu, era sinal que havia nascido o rei dos reis, que seria um rei amigo, honesto e defensor dos pobres.
O rapaz acreditava na tradição e desejava encontrar-se com esse rei. Por isso, todas as noites ele observava o céu, para ver se havia uma estrela diferente.
Numa noite, ele viu uma nova estrela. Era muito linda e estava inclinada para o Sudeste. Vou encontrar-me com esse rei, pensou o moço. Certamente a estrela está indicando a direção em que ele nasceu. Vou levar meu violão e cantar para ele uma de minhas canções.
Seus pais ficaram com medo. “Você nunca saiu desta ilha, filho!” reagiram. Entretanto, devido à sua insistência, acabaram permitindo. E o jovem foi, com a bênção dos pais e de todo o seu povo.
O dinheiro que tinha deu apenas para chegar até o Continente. Por isso, foi caminhando a pé, sempre na direção da estrela, que cada semana ficava mais alta e bonita. À noite, ele cantava para a estrela, ensaiando as músicas.
Depois de muitos anos, chegou a Roma, pois muitos lhe diziam que ali morava um grande rei. Acontece que, em Roma, ele teve de dormir nas calçadas e, numa noite, roubaram-lhe o violão. Mas o jovem não desanimou. Eu canto para o rei, sem violão mesmo, pensou.
Depois que conheceu o imperador, ficou decepcionado. Era arrogante, orgulhoso, egoísta, violento e não era amigo. Não é este o rei que procuro, pensou. De mais a mais, a estrela continuava inclinada.
Deixou Roma e continuou a viagem, na direção da estrela. Antes de partir, roubaram-lhe a mochila com tudo o que possuía. Só ficou com a roupa do corpo. Não tem importância, vou assim mesmo encontrar-me com o rei dos reis, pensou.
Trinta e três anos depois que saiu de casa, chegou a Jerusalém. A estrela desapareceu. Nessas alturas, ele já era um mendigo, um andarilho. Quando estava com fome, roubava coisas para comer, e várias vezes tinha sido preso e apanhado dos policiais. Vivia triste. Esquecera todas as suas canções. Mas a esperança de encontrar o grande rei ainda continuava viva.
Contaminado pela corrupção, um dia, em Jerusalém, ele foi pego pela polícia roubando a bolsa de uma senhora muito importante. Foi preso e condenado à morte.
Enquanto levava sua cruz para ser crucificado, percebeu que havia outros dois ao seu lado. Um era ladrão e o outro foi vítima da inveja dos poderosos, e traído por um amigo. Inclusive a mãe dele seguia atrás, junto com algumas mulheres.
Agora, os três já estão levantados nas cruzes. O sol se escurece, vem um vento forte. E ele avista, no alto de céu, uma linda estrela. É aquela! Ficou feliz ao vê-la. Estava mais bela que nunca. E bem em cima, no meio do céu. Na hora ele teve certeza: O rei que procuro é este que está aqui no meio. Virou-se para ele e pediu com humildade: “Senhor, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino”. Jesus lhe respondeu: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,42-43).
Esse jovem chamava-se Dimas. É S. Dimas, o bom ladrão.
Todos nós andamos pela vida procurando uma pessoa honesta, boa, digna de ser imitada. E nesta caminhada, quanta decepção, quanta corrupção...! Mas não percamos a esperança, pois essa pessoa digna de ser imitada existe, e chama-se Jesus Cristo. Diga para ele: “Eu estou com você e não abro!”
“Maria do sim, ensina-me a dizer meu sim. Um dia Maria deu o seu sim, mudou-se a face da terra.”
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