Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam) Em Histórias de Vida

O remédio amargo

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Dom João II foi rei de Portugal, de 1455 a 1495. O povo o chamava de “O Bom”.

Conta-se que ele tinha um jovem criado, o qual ele estimava muito. Um dia, esse moço ficou doente. Emagrecia dia por dia e médico nenhum conseguia curá-lo. O rei ficou desolado. Resolveu chamar um médico estrangeiro, muito afamado.

O médico veio, examinou o rapaz e receitou um remédio. Mas, como este remédio era extremamente amargo, o doente não quis tomá-lo. Disse que preferia morrer.

Quando o rei ficou sabendo, foi ao quarto do enfermo, pegou o vidro do remédio e, à vista dele, tomou duas colheres cheias, e se retirou.

Minutos depois, o moço pediu à enfermeira que lhe desse o remédio, e o tomou gostosamente, sem demonstrar que era ruim.

Dali para frente, ele foi se restabelecendo e logo sarou.

A primeira coisa que fez foi procurar o rei e lhe agradecer. Dom João respondeu: “Meu filho, por você eu tomaria vários litros daquele medicamento, se fosse necessário”.

Aquele remédio era a porta estreita, pela qual o rapaz não queria entrar. Mas o rei, como um pai, lhe ensinou.

A palavra convence, o exemplo arrasta. O bom exemplo é um remédio eficaz, mas amargo. Por isso preferimos, às vezes, ficar só na teoria, nas palavras bonitas.

O cálice da amargura que Jesus tomou, Maria também o provou no seu coração. Mas o sacrifício foi válido, e todos continuamos colhendo os frutos.

Escrito por:
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam)

Missionário redentorista, recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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