Dom João II foi rei de Portugal, de 1455 a 1495. O povo o chamava de “O Bom”.
Conta-se que ele tinha um jovem criado, o qual ele estimava muito. Um dia, esse moço ficou doente. Emagrecia dia por dia e médico nenhum conseguia curá-lo. O rei ficou desolado. Resolveu chamar um médico estrangeiro, muito afamado.
O médico veio, examinou o rapaz e receitou um remédio. Mas, como este remédio era extremamente amargo, o doente não quis tomá-lo. Disse que preferia morrer.
Quando o rei ficou sabendo, foi ao quarto do enfermo, pegou o vidro do remédio e, à vista dele, tomou duas colheres cheias, e se retirou.
Minutos depois, o moço pediu à enfermeira que lhe desse o remédio, e o tomou gostosamente, sem demonstrar que era ruim.
Dali para frente, ele foi se restabelecendo e logo sarou.
A primeira coisa que fez foi procurar o rei e lhe agradecer. Dom João respondeu: “Meu filho, por você eu tomaria vários litros daquele medicamento, se fosse necessário”.
Aquele remédio era a porta estreita, pela qual o rapaz não queria entrar. Mas o rei, como um pai, lhe ensinou.
A palavra convence, o exemplo arrasta. O bom exemplo é um remédio eficaz, mas amargo. Por isso preferimos, às vezes, ficar só na teoria, nas palavras bonitas.
O cálice da amargura que Jesus tomou, Maria também o provou no seu coração. Mas o sacrifício foi válido, e todos continuamos colhendo os frutos.
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