Havia, certa vez, uma moça que falava muito. Ela arrumou um namorado, mas, nos encontros, falava quase o tempo todo, sem deixar o rapaz falar.
Entretanto, o amor encobre os defeitos e eles se casaram. Em casa, ela continuou falando. Tiveram filhos... E ela falando sem parar.
Com o tempo, os filhos todos se casaram. Mas aquela mulher não parava de falar. Eram só os dois em casa, e mesmo assim ele tinha de ouvi-la o tempo todo, porque ela falava constantemente.
Um dia, ele se aposentou, e aí ficou pior. Tinha de ouvi-la o dia todo. Então ele arrumou um cachorro. Ela foi contra, não queria saber de cachorro. Mas ele foi firme, e levou o cachorro para dentro da casa.
Tempo depois, ele arrumou outro cachorro, e depois mais um. Agora eram três cachorros dentro de casa.
Ela, como sempre, era contra ter cachorros no lar. Ele tocava violão e os cães ficavam ouvindo.
Um dia, ela ficou irritada com os cachorros e insistiu mais uma vez para que ele desse um fim naqueles cães, que estavam sempre ao lado dele, na sala, no refeitório e até ao lado da cama no quarto.
Então ele explicou: “Eles me ouvem, e você não. Eu falo com eles e eles me escutam com atenção, o que não acontece com você, que quer sempre falar, e falar o tempo todo”.
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