Havia, numa cidade, um sábio que era conhecido pela sua calma e serenidade. Nunca perdia a paciência nem ficava nervoso, em situação nenhuma.
Um rapaz da cidade, muito briguento e perverso, apostou com os colegas que conseguiria tirar o sábio da calma e fazê-lo até partir para uns tapas.
Foram para uma praça onde ele costumava passar, e o esperaram. Quando o homem foi passando, aquele moço começou a insultá-lo e a provocá-lo de todas as maneiras. Disse-lhe palavrões, xingos, afrontas de todo tipo. Chegou até a cuspir no rosto do pobre senhor.
Mas nada. O sábio permaneceu impassível.
Ao ver-se derrotado, o rapaz fugiu, como fazem os covardes.
Uma pessoa, que viu a cena, perguntou ao sábio: “Como que o senhor conseguiu suportar tanta injúria, sem perder a calma?”
Ele respondeu: “Se alguém chega até você com um presente e você não o aceita, com quem fica o presente?” “Com quem ofereceu”, respondeu a pessoa. “O mesmo vale para o insulto, a malvadeza e a falta de compostura”, explicou. “Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo”.
Em outras palavras, não é o outro que vai determinar o nosso modo de agir, muito menos pessoas malvadas. Somos nós mesmos que escolhemos o nosso comportamento.
Não é porque alguém nos trata com falta de educação, que vamos tratá-lo da mesma forma. Se o fizermos, nós o tomaremos como nosso mestre, e perderemos até o direito de reprova-lo, pois fazemos a mesma coisa.
“Não resistais ao malvado. Se alguém te bate numa face, oferece-lhe também a outra” (Mt 5,39).
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