Por Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam) Em Histórias de Vida

Testemunho até nas brincadeiras

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Certa vez, um estudante universitário saiu para dar um passeio com o seu professor, a quem os alunos consideravam amigo. Todos admiravam a sua dedicação e sabedoria. 

Enquanto caminhavam, viram, no caminho, um par de sapatos velhos, e calcularam pertencer a um homem que trabalhava no campo ao lado e que estava prestes a terminar o seu dia de serviço. 

O aluno disse: “Vamos fazer-lhe uma brincadeira. Ocultemos seus sapatos e nos escondamos atrás de um arbusto, para ver a cara dele, quando não os encontrar”. 

“Meu caro”, disse o professor, “nunca devemos divertir-nos às custas dos pobres. Tu és rico e podes dar uma alegria a este homem. Coloca uma moeda em cada sapato e depois nos escondemos para ver a sua reação quando os encontrar”. 

O jovem fez isso, e ambos se esconderam no meio dos arbustos. O pobre homem terminou a sua tarefa diária e caminhou até os sapatos, a fim de voltar para casa. 

Ao chegar, deslizou um dos sapatos no pé, mas sentiu algo dentro. Abaixou-se para ver o que era e encontrou a moeda. Pasmado, perguntou-se o que havia acontecido. Olhou a sua volta, para todos os lados, mas não viu ninguém. Guardou a moeda no bolso e foi calçar o outro sapato. 

A surpresa foi ainda maior quando encontrou a outra moeda. Seus sentimentos esmagaram-no. Pôs-se de joelhos, levantou os olhos ao céu e, em voz alta, fez um agradecimento, falando de sua esposa doente e sem ajuda, e de seus filhos que não tinham pão. Agora, devido a uma mão desconhecida, sentirão alívio. 

O estudante ficou profundamente emocionado. “Agora”, disse o professor, “não está mais satisfeito com esta brincadeira?” O jovem respondeu: “O senhor me ensinou uma lição que jamais hei de esquecer. Entendi algo que antes não entendia: É melhor dar que receber”. 

Aquele rapaz certamente dava uma de santinho em casa, mas, no anonimato, queria ser malandro. Felizmente o professor não foi na conversa e inverteu. Fez com que ele fizesse o bem, também no anonimato. Como é importante termos bons educadores! 

Vamos utilizar o estilo de brincadeira para exaltar as pessoas, não para rebaixá-las. 

Maria Santíssima era uma pessoa transparente. Como se mostrava para o povo, assim era realmente. Mesmo não tendo pecado, ela era humilde e se reconhecia indigna dos favores de Deus. Que a Mãe do Céu nos ajude a sermos cada vez mais transparentes.

Escrito por:
Padre Antônio Queiróz dos Santos (Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R)
Pe. Antônio Queiroz, C.Ss.R (in memoriam)

Missionário redentorista, recolheu ao longo de seu ministério centenas de histórias que falam de forma simples e popular da fé e das realidades do povo de Deus.

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