Começa nesta terça-feira (7), na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, o 13º Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base. Com o tema ‘Justiça e Profecia a serviço da vida’ e lema ‘CEBs: Romeiras do Reino no Campo e na Cidade’, o encontro acolherá em torno de 4 mil pessoas, representando as comunidades de todo o Brasil.
O Intereclesial é um encontro de celebração e avaliação da caminhada das CEBs. Na programação haverá visitas às paróquias e comunidades; testemunhos de luta, desafios e esperança, momentos de celebrações, além de oficinas e plenárias, que contarão com a participação de assessores nacionais, e ainda, uma feira de economia solidária.
Foto: CEBs Joinville.

Celebração de envio de membros das comunidades de Joinville (SC) para o 13º Intereclesial.
Retomamos aqui no A12.com uma entrevista com o coordenador do 13º Intereclesial, padre Vileci Basílio Vidal, sobre a realidade das CEBs no Brasil e a sua atuação.
Portal A12 – O que são as Comunidades Eclesiais de Base no contexto atual?
Padre Vileci Vidal – Não podemos esquecer que o Concílio Vaticano II apontava para três grandes desafios: a descolonização, pedindo que cada Igreja superasse o predomínio europeu e revelasse o seu próprio rosto; a descentralização, pedindo que surgissem instâncias de comunhão e participação; e a desclericalização, que convoca o protagonismo dos leigos e leigas para a missão.
Ao longo destes 50 anos, as CEBs viveram esse sonho conciliar, através de um “novo jeito de ser Igreja” que hoje “tornou-se um jeito normal de ser Igreja”, gestado numa dinâmica da proposta de uma Igreja Povo de Deus, agora buscando atender aos desafios do mundo contemporâneo.
Os bispos latino-americanos, no Documento de Aparecida afirmam que as CEBs são “escolas que têm ajudado a formar cristãos comprometidos com sua fé, discípulos e missionários do Senhor, como testemunhas de entrega generosa, até mesmo com o derramar do sangue de muitos de seus membros”. E também acrescentam: “As CEBs demonstram seu compromisso evangelizador e missionário entre os mais simples e afastados, e são expressão visível da opção preferencial pelos pobres” (DAp 178; 179).
Portal A12 – Como podemos perceber a atuação das CEBs na Igreja, como ela se caracteriza?
Padre Vileci Vidal – Somos todos romeiros e romeiras na estrada da vida. E a vida levanta perguntas: por que caminhar? Para onde caminhar?
"Caminhamos porque não sabemos tudo, não somos tudo; porque sentimos a necessidade de avançar, de dar passos à frente. E as CEBs, tornam-se o lugar para viver a Palavra de Deus, celebrar a vida, fazer comunhão, assumir compromissos".
Caminhamos porque não sabemos tudo, não somos tudo; porque sentimos a necessidade de avançar, de dar passos à frente. E as CEBs, tornam-se o lugar para viver a Palavra de Deus, celebrar a vida, fazer comunhão, assumir compromissos.
Por isso, tornam-se características das CEBs a formação, através dos círculos bíblicos, encontros de catequese, capacitações para assumir pastorais, formação litúrgica; a espiritualidade nas celebrações eucarísticas, da palavra, nos novenários, no ofício divino das comunidades, nas celebrações nas famílias, nos quarteirões; a organização, a comunhão entre as pessoas, com a própria Igreja, participação nos conselhos comunitários, escolar, da saúde, assembleias, associações; e, por fim, a missão, serviços pastorais realizados dentro da própria comunidade, visitas, campanhas, luta pela vida.
Portal A12 - A proposta das CEBs sofreu mudanças ao longo dos anos?
Padre Vileci Vidal – Durante a ditadura militar, as CEBs cumpriram o seu papel ajudando a organizar a sociedade civil, contribuindo na organização dos movimentos populares. Hoje é notável que as CEBs, diante dos desafios do mundo contemporâneo, com ênfase na dimensão sociopolítica, darem destaque especial à crise ecológica e à necessidade de pensar outra concepção de desenvolvimento.
"Se no passado as CEBs tinham uma preocupação eminentemente de militância política, hoje as CEBs precisam caminhar no enfrentamento de uma cultura dominante neoliberal, individualista, consumista...".
Também da ênfase a dimensão cultural e religiosa da atualidade, considerando que o mundo foi transformado drasticamente nos últimos 30 anos pela prática e pela ideologia neoliberais, pela globalização e pelas políticas neoliberais nacionais.
Portanto, se no passado as CEBs tinham uma preocupação eminentemente de militância política, hoje as CEBs precisam caminhar no enfrentamento de uma cultura dominante neoliberal, individualista, consumista, em um contexto sócio-político-econômico muito diferente do início das CEBs, principalmente no enfrentamento aos desafios apresentados no contexto urbano, como por exemplo, o pluralismo religioso.
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