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Educação e consciência: formar pessoas para escolher o bem

A formação integral ajuda a pessoa a desenvolver virtudes, discernir com liberdade e orientar suas escolhas para o bem

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Joana Darc Venancio (Redação A12)

Escrito por Joana Darc Venancio

25 ABR 2016 - 08H30 (Atualizada em 21 JUL 2026 - 15H52)

Por que a reflexão sobre a educação deve nos interessar? Em que sentidos essa pergunta se torna uma exigência para nós?

O primeiro deles é que a tarefa essencial da educação permanece ligada à formação integral da pessoa humana. Por isso, é indissociável da necessidade de compreender o que o ser humano é e o que pode se tornar por meio da educação.

O Catecismo da Igreja Católica afirma:

“Uma educação prudente ensina a virtude: preserva ou cura do medo, do egoísmo e do orgulho, dos ressentimentos, da culpabilidade e dos movimentos de complacência, nascidos da fraqueza e das faltas humanas. A formação da consciência garante a liberdade e gera a paz do coração” (n. 1784).

Por que continuar refletindo sobre a educação?

O segundo sentido é reconhecer que sempre existe, explícita ou implicitamente, uma concepção sobre como o ser humano pode se tornar melhor pela educação. A pergunta sobre a educação não pode ser eliminada nem está esgotada. Na verdade, jamais estará.

Ela deve ser uma fonte permanente de reflexão e questionamento sobre suas finalidades, seus meios e suas possibilidades. A filosofia tem uma importância singular nesse processo, pois sua principal tarefa é permitir o exercício de uma reflexão sempre aberta, e não oferecer respostas definitivas sobre quem é o sujeito da educação, pois tais respostas poderiam ocultar sentidos essenciais.

O primeiro problema que se apresenta à educação diz respeito à própria possibilidade de conhecer: o ser humano pode alcançar algum conhecimento verdadeiro? Immanuel Kant, na obra Sobre a Pedagogia (1999, p. 15), afirma:

“O homem não pode se tornar um verdadeiro homem senão pela educação. Ele é aquilo que a educação dele faz. Note-se que ele só pode receber tal educação de outros homens, os quais a receberam igualmente de outros. Portanto, a falta de disciplina e de instrução em certos homens os torna mestres muito ruins de seus educandos. Se um ser de natureza superior tomasse cuidado da nossa educação, ver-se-ia, então, o que poderíamos nos tornar.”

Educar é acreditar nas possibilidades humanas

Kant apresenta uma educação que não se esgota em sua ação imediata, mas se projeta para o futuro e acredita no sujeito da educação para além de seu estado atual.

A educação é o caminho proposto para que o ser humano supere os obstáculos e os limites que ocultam suas potencialidades. Uma de suas finalidades é formar a consciência, fortalecendo o desejo de uma vida reta e orientada por juízos morais esclarecidos.

O Catecismo da Igreja Católica ensina:

“A consciência deve ser informada e o juízo moral esclarecido. Uma consciência bem formada é reta e verídica; formula os seus juízos segundo a razão, em conformidade com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador. A formação da consciência é indispensável aos seres humanos, submetidos a influências negativas e tentados pelo pecado a preferir o seu juízo próprio e a recusar os ensinamentos autorizados” (n. 1783).

A consciência e a liberdade de escolher o bem

Ao encontrar a retidão e a verdade, iluminadas pela razão, a pessoa alcança o equilíbrio necessário para recusar ensinamentos contrários ao bem. Suas atitudes, nesse sentido, já não dependem apenas de controles externos, mas também de uma escolha consciente.

Ser bom passa a ser uma orientação da própria existência, e não somente uma obrigação cumprida por causa de determinações externas.

O Catecismo esclarece: “As virtudes morais crescem pela educação, pelos atos deliberados e pela perseverança no esforço. A graça divina purifica-as e eleva-as” (n. 1839).

A educação possui, portanto, um papel amplo e insubstituível, pois é por meio dela que a pessoa adquire condições para fazer escolhas e orientar deliberadamente suas ações para o bem.

O mistério da educação humana deve nos inquietar e despertar em nós a disposição para o bem. Uma vez educada, caberá à pessoa escolher seus caminhos:

“Tomo hoje por testemunhas contra vós o céu e a terra: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Dt 30,19).

Escrito por:
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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