Por Pe. Leo Pessini Em Igreja

A visão utópica de construir um “mundo novo” da Agenda 2030

O documento fala da Agenda 2030 com uma “visão extremamente ambiciosa e transformadora”. O texto repete à exaustão, as expressões “prevemos“ e “nos comprometemos” na construção de uma realidade nova, enfim “um outro mundo é possível construir” (no. 7-9). Na versão judaico-cristã, busca-se “um novo céu e uma nova terra”. Enfim, busca-se:

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- Um mundo livre da pobreza, fome doença e penúria, onde toda a vida pode prosperar;

- Um mundo livre do medo e da violência, com alfabetização universal, com o acesso equitativo e universal à educação de qualidade em todos os níveis, aos cuidados de saúde e proteção social, onde o bem-estar físico, mental e social estão assegurados;

- Um mundo em que são reafirmados os compromissos relativos ao direito humano à água potável e ao saneamento e onde há uma melhor higiene, e onde o alimento é suficiente, seguro, acessível e nutritivo;

- Um mundo onde habitats humanos são seguros, resilientes sustentáveis, e onde existe acesso universal à energia acessível, confiável e sustentável.

- Um mundo de respeito universal dos direitos humanos e da dignidade humana, do Estado de Direito, da justiça, da igualdade e da não discriminação; do respeito pela raça, etnia e diversidade cultural; e da igualdade de oportunidades que permita a plena realização do potencial humana e contribua para a prosperidade compartilhada;

- Um mundo que investe em suas crianças e que cada criança cresça livre da violência e da exploração.

- Um mundo em que cada mulher e menina desfrute da plena igualdade de gênero e no qual todos os entraves jurídicos, sociais e econômicos para o seu empedramento foram eliminados.

- Um mundo justo, equitativo, tolerante, aberto e socialmente inclusivo em que sejam atendidas as necessidades das pessoas mais vulneráveis.

- Um mundo em que cada país desfrute de um crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável e de trabalho decente para todos.

- Um mundo em que os padrões de consumo e produção e o uso de todos os recursos naturais – do ar à terra; dos rios, lagos e aquíferos aos oceanos emares – são sustentáveis.

- Um mundo em que a democracia, a boa governança e o Estado de Direito, bem como um ambiente propício em níveis nacional e internacional, são essenciais para o desenvolvimento sustentável, incluindo crescimento econômico, inclusivo e sustentado, desenvolvimento social, proteção ambiental e erradicação da pobreza e da fome.

- Um mundo em que a humanidade viva em harmonia com a natureza e em que animais selvagens e outras espécies vivas estão protegidos.

Esta “nova visão” em busca de “um novo mundo”, de “novos céus e nova terra” como nos fala a Bíblia, assume a agenda inacabada dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), ou seja, a luta para erradicar a pobreza, o cuidado da saúde, a educação, a segurança alimentar e nutricional.

Esta nova agenda 2030 vai além e define um vasto leque de objetivos econômicos, sociais e ambientais. Ela abarca também a construção de sociedades mais pacíficas e inclusivas. Define também, meios de implementação, numa abordagem integrada, explorando as interconexões profundas de muitas das questões transversais dos novos dezessete Objetivos do desenvolvimento Sustentável (ODS) com 169 metas associadas que são integradas e indivisíveis.

Enfim, os signatários da agenda 2030 fazem sua profissão de fé: “Comprometemo-nos a promover a compreensão intercultural, a tolerância, o respeito mútuo e uma ética de cidadania global e responsabilidade compartilhada. Reconhecemos a diversidade natural e cultural do mundo e reconhecemos que todas as culturas e civilizações podem contribuir para, e contribuem elementos cruciais de envolvimento ostentável” (no. 36).

assinatura padre leo pessini

Escrito por
Pe. Léo Pessini Currículo - Aquivo Pessoal
Pe. Leo Pessini

Professor, Pós doutorado em Bioética no Instituto de Bioética James Drane, da Universidade de Edinboro, Pensilvânia, USA, 2013-2014. Conferencista internacional com inúmeras obras publicadas no Brasil e no exterior. É religioso camiliano e atual Superior Geral dos Camilianos.

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Por Laura Galvão, em Igreja

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