Por Pe. Leo Pessini Em Igreja

As doenças raras e negligenciadas: caminhos de superação (IV)

Qual seria o caminho de superação deste caótico estado das coisas?

 

Papa e enfermos

Na mensagem endereçada aos participantes da XXXI Conferência Internacional promovida pelo Vaticano (10-12 de novembro de 2016) sobre Doenças raras e negligenciadas, o Papa Francisco, reconhece a imensa complexidade da questão, afirmando que “o desafio epidemiológico, cientifico, clinico-assistencial, higiênico-sanitário e econômico é, pois imenso, porque implica responsabilidades e compromissos em escala global: autoridades políticas e sanitárias internacionais e nacionais, agentes sanitários, indústria biomédica, associações de cidadãos/pacientes, voluntariado laico e religioso”.

Devido a isto, é necessário “uma abordagem multidisciplinar e em conjunto; um esforço que envolva todas as realidades humanas interessadas, institucionais ou não, e entre elas também a Igreja Católica, que desde sempre encontra motivação e impulso em seu Senhor, Cristo jesus, o Crucificado Ressuscitado, ícone tanto do enfermo como do médico, o bom samaritano”.

Francisco diz que para resolver este problema de saúde global, é necessária 'a sabedoria do coração'. Junto com os estudos de cunho científico e técnico é de crucial importância o testemunho de quem se lança nas periferias não somente existenciais, mas também assistenciais do mundo.

Uma outra observação do Papa tem a ver com o tema da justiça, no sentido de da 'dar a cada um o que é seu', evitando-se discriminações. Isto é o mesmo acesso aos cuidados eficazes para as mesmas necessidades de saúde, independentemente dos fatores e contextos socioeconômicos, geográficos e culturais. Aqui são evocados três princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja.

O primeiro é o princípio da sociabilidade, segundo o qual o bem da pessoa se reflete na comunidade. Portanto o cuidado da própria saúde, não é somente uma responsabilidade pessoal, mas também um bem e responsabilidade social.

O segundo princípio é o da subsidiariedade, que de um lado, sustenta, promove e desenvolve socialmente a capacidade de cada pessoa realizar as suas aspirações legitimas, e de outro, vai em socorro das pessoas lá onde elas se encontram e não conseguem por si superar os certos obstáculos, como é o caso, por exemplo de uma doença.

E finalmente, o princípio da solidariedade, em relação ao qual deveria se orientar as estratégias sanitárias, que tenha na justa medida o valor, pessoa e o bem comum.

Conclui o Papa Francisco dizendo que é “Sobre estas três bases, que podem ser partilhadas por todos aqueles que tenham em grande consideração o valor eminente do ser humano, se pode identificar soluções realistas, corajosas, generosas e solidarias para afrontar, com mais eficácia e resolver a emergência sanitária das doenças ‘raras’ e ‘negligenciadas’” (final).  

assinatura padre leo pessini

Escrito por
Pe. Léo Pessini Currículo - Aquivo Pessoal
Pe. Leo Pessini

Professor, Pós doutorado em Bioética no Instituto de Bioética James Drane, da Universidade de Edinboro, Pensilvânia, USA, 2013-2014. Conferencista internacional com inúmeras obras publicadas no Brasil e no exterior. É religioso camiliano e atual Superior Geral dos Camilianos.

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