Por Pe. Leo Pessini Em Igreja

Bioética Global - uma incursão nas origens! (parte 2)

Van Rensselaer Potter introduziu o termo “bioética global” para dar voz para uma visão e abordagem ampliada da ética em relação à saúde, doença, vida e morte, sociedade e políticas públicas e biopolítica. Ele crítica a bioética principialista (isto é dos princípios: respeito pelas pessoas –autonomia, beneficência, non-maleficência e justiça), por restringir-se basicamente a ao âmbito das intervenções biomédicas.

Esta seria na essência “ética biomédica”, mas disfarçada com um novo nome. Focaliza na sobrevivência do indivíduo e se preocupa com visões e soluções de curto prazo. Enfatiza a autonomia individual, é especializada, restringe-se ao âmbito clinico, não apresentando uma perspectiva pública, coletiva e global.

:: Bioética Global - uma incursão nas origens

bioetica

Esta bioética principialista não se preocupa com uma perspectiva global, com enfoque em desafios específicos de países desenvolvidos, ignorando problemas de saúde de outras partes do mundo em desenvolvimento. Além disso, não entra na pauta de suas preocupações a ética do meio ambiente, ética da agricultura e ética social. Portanto necessitamos de uma perspectiva mais inclusiva e coletiva de bioética, que vem ganhando a denominação de global, por abarcar todas as áreas geográficas do globo, bem como suas distintas problemáticas éticas, que vão desde o nível micro, da relação médico-paciente até o nível macro, das políticas públicas de saúde e políticas dos diferentes países enquanto aplicam avanços da tecnociencia no âmbito das ciências da vida e da saúde.

A Associação Internacional de Bioética, organização independente e laica, que reúne interessados e professores de bioética dos mais diferentes campos do saber, organiza os Congressos Mundiais de bioética desde 1992. Vejamos a lista destes eventos mundiais, bem como suas temáticas abordadas, que vai se ampliando em nível “global”, ao longo de praticamente um quarto de século (1992-2016).

1) 1992 – Amsterdã (Holanda): Temas de bioética clinica ligados ao início de final de vida (eutanásia);

2) 1994 – Buenos Aires (Argentina): Temas de bioética clínica;

3) 1996 – São Francisco (EUA) – Bioética num mundo interdependente;

4) 1998 – Tóquio (Japão) – Bioética global: Norte –sul, leste –oeste;

5) 2000 – Londres (Inglaterra) Ética, lei e políticas públicas;

6) 2002 – Brasília (Brasil) – Bioética: poder e injustiça;

7) 2004 – Sidney (Austrália) – Ouvir profundamente: criando pontes entre ética local e global;

8) 2006 – Pequim (China) – Por uma sociedade mais justa e saudável;

9) 2008 – Zagreb/Rijeka (Croácia) Bioética e os desafios transculturais;

10) 2010 – Cingapura – Bioética num Mundo Globalizado;

11) 2012 – Roterdã (Holanda): Bioética no futuro e o futuro da bioética;

12) 2014 - México DF: Bioética num mundo globalizado: ciência, sociedade e indivíduo;

13) 2016 – Edinburgh (Escócia): Individuo, Interesses públicos e valores públicos.

Qual é a contribuição da Bioética? O próximo congresso, o 14º, está programado para 2018, emNew Délhi (Índia), com a temática: Saúde para todos num mundo iníquo: Obrigações da Bioética Global.

Cada evento reflete sempre particularidades e aspectos culturais características de como trabalhamos, pensamos, refletimos, nos relacionamos e valores de como enfrentamos os desafios da realidade do mundo da vida e da saúde, com todo o arsenal tecnocientífico que temos a disposição.

Busca-se sempre colocar a vida em primeiro lugar, e formas e maneiras muito diversificadas, neste “mercado global de ideias e valores”. Começa-se a falar em ““bioéticas” no plural, mais do que bioética no singular, pois estamos hoje diante de um pluralismo de visões e paradigmas de bioética.

Perante tal pluralismo necessitamos ter claro qual é a nossa identidade de valores éticos que comungamos. É preciso definir e escolher qual é a nossa perspectiva ética em que nos situamos. Alinhamo-nos como o personalismo, isto, aquele modelo de bioética, que coloca a pessoa humana no centro, com abertura ao transcendente, a partir da perspectiva cristã.              

assinatura padre leo pessini 

Escrito por
Pe. Léo Pessini Currículo - Aquivo Pessoal
Pe. Leo Pessini

Professor, Pós doutorado em Bioética no Instituto de Bioética James Drane, da Universidade de Edinboro, Pensilvânia, USA, 2013-2014. Conferencista internacional com inúmeras obras publicadas no Brasil e no exterior. É religioso camiliano e atual Superior Geral dos Camilianos.

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