Por Redação A12 Em Igreja

Bispo orienta participação popular e consciência crítica de eleitores

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) tem se feito notar constantemente e de forma pedagógica nas eleições que se realizam no país. Pelas ‘Cartilhas de Orientação Política’ dirigidas aos eleitores, os bispos passam informações, apresentam princípios, provocam reflexões, convocam os cidadãos a exercer o direito e o dever de participar da vida política.

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Foto: Thiago Leon

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No contexto do processo eleitoral deste ano, durante o qual eleitores escolherão prefeitos e vereadores, a Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Centro Nacional de Fé e Política (Cefep), a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) e o Conselho Nacional do Laicato (CNLB) apresentaram a cartilha “Eleições municipais 2016: Resgatar a dignidade da política”.

Em entrevista ao A12.com, o bispo Diocesano de Caçador e Presidente da Comissão Episcopal de Pastoral para o Laicato, Dom Frei Severino Clasen, OFM, falou sobre o conteúdo das cartilhas e como o cristão deve agir antes e depois das eleições.

A12.com: Qual é, em síntese, o conteúdo das "cartilhas"? Há diferença entre o conteúdo deste ano e relação às eleições anteriores?

Dom Severino Clasen: Como diz o próprio título da cartilha resgatar a dignidade da política. Por isso a cartilha traz sete reflexões específicas. Destacando, é dever dos cristãos participar da política; a participação dos cristãos nas eleições... Há um olhar para a realidade, para a importância da participação na escolha de candidatos sérios e sinceros. Uma chamada para a responsabilidade dos eleitores na escolha das pessoas certas para as funções certas no mundo da política.

 

 

Saber escolher candidatos que estejam a serviço do bem comum e não de partidos e benefícios próprios se enriquecendo ilicitamente com aquilo que pertence a comunidade. Os cristãos e cristãs devem entender o seu caráter de sujeitos históricos. Portanto, não podem ser massa de manobra de processos políticos viciados e corruptos, ou manipulados por uma mídia sem compromisso com a verdade e com a democracia participativa. Por isso, o processo continuado de formação é necessário. A formação da consciência crítica se faz necessário nesse momento histórico.

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Neste domingo eleitores de todo Brasil vão às urnas para
eleger prefeitos e governadores.

A12.com: De acordo com a cartilha da CNBB, como o cristão deve agir antes e depois das eleições para ser um protagonista durante o período eleitoral?

Dom Severino Clasen: O eleitor deve conhece bem os candidatos antes de votar, saber seus projetos, sua história, seu compromisso com a comunidade. Não se vota em candidatos com promessas oportunistas. Os cristãos devem agir durante o período eleitoral em vista das ações constantes para depois das eleições nas seguintes questões práticas: 

* Estimular e apoiar a participação política; 

* Incentivar a criação de mecanismos de participação popular; 

* Acompanhamento dos eleitos e dos Conselhos de Cidadania; 

* Pautar novas formas de administrar a cidade, como o orçamento participativo.

* Portanto, fazer da cidadania a nossa prática pastoral. 

Formação, principalmente neste momento, onde pensamos o mundo, o Brasil e nossa cidade por causa das eleições municipais, é fundamental que tenhamos sempre presente a necessidade da Formação. 

Aproveitar o momento eleitoral, mas que tal formação seja sempre continuada, através de instrumentos pedagógicos e da forma mais participada, para que os cristãos e cristãs entendam o momento presente e possam pensar num agir condizente com o Reino. Por isso, importante votar em candidatos que já conhece a mais tempo e não os do tempo das eleições, pois esses são os continuadores e carregadores de bandeira do Brasil em manifestações, mas são corruptos, sonegadores e aproveitadores da coisa pública.

A12.com: Esse é um período do ano em que as pessoas exercem a cidadania escolhendo os seus representantes. Qual deve ser o principal objetivo do eleitor frente às eleições?

 

O eleitor deve ser como um observador social, ou seja, aquele que observa, denuncia, não se cala diante das falcatruas. 

Dom Severino Clasen: As eleições desse ano estão mais próximas do dia a dia da população. Portanto, voltemos o nosso olhar, o nosso ver, a nossa análise, para a nossa cidade e nosso município. A primeira atitude é saber que o eleitor é o sujeito nas eleições e não objeto. Como sujeitos participa, indica, exige, cobra, orienta, opina e testemunha seus sentimentos patrióticos na escolha dos que tem a vocação para administrar com seriedade, justiça, espírito democrático e honestidade. O eleitor deve ser como um observador social, ou seja, aquele que observa, denuncia, não se cala diante das falcatruas tão sistematizadas que até parece, para o político roubar e superfaturar enriquecer-se ilicitamente é normal.

Também é importante descobrir um mecanismo, para avaliar os bens adquiridos no tempo em que está no mandato, se está mais rico do que antes, porque? De onde veio a riqueza, esse é um caminho para purificar e dignificar o ser político. Ser participante na proteção do bem comum, das coisas do município e não buscar apenas benécies para o bem próprio, isso caracteriza também corrupção. 

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A12.com: Qual seria, então, o papel da Igreja Católica para com o cristão neste período eleitoral?

 

O papel da Igreja é fomentar esperança, apesar do descrédito atual da política. 

Dom Severino Clasen: O papel da Igreja é fomentar esperança, participação, conhecimento, e comprometimento dos cristãos leigos e leigas no período eleitoral e depois das eleições. O papel da Igreja é fomentar esperança, apesar do descrédito atual da política.  Toda ação do cidadão na política tem um passado, um presente e um futuro. O passado sustenta a história, o corpo desenvolvido, a consciência da maturidade cidadã. Revela a integridade e representatividade com seus feitos e testemunho de uma pessoa boa e de confiança.

O presente é a prática diária, sendo justo, sincero, presente junto à comunidade local para agilizar situações, resolver questões e garantir a saúde, sustentabilidade, educação, moradia, enfim, tudo que é necessário para uma vida digna e justa. O futuro é um olhar para frente que garante desenvolvimento, prosperidade, segurança, liberdade para todo o cidadão. Ter visão de futuro é indispensável, pois, consegue elaborar projetos para o bem comum e não de interesse pessoal ou eleitoreiro.  

A12.com: Este é o momento em que os eleitores podem avaliar os candidatos e definir a opção de voto. Qual a mensagem da Igreja para o cristão eleitor?

Dom Severino Clasen: Nas “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2015-2019”, os Bispos pedem atuação decisiva dos cristãos leigos e leigas na política. Esse é um espaço privilegiado para leigos e leigas testemunharem sua fé na transformação da sociedade. “Promova-se cada vez mais a participação social e política dos cristãos leigos e leigas nos diversos níveis e instituições, por meio de formação permanente e ações concretas.

Com a crise da democracia representativa, cresce a importância da colaboração da Igreja no fortalecimento da sociedade civil, na luta contra a corrupção, bem como no serviço em prol da unidade e fraternidade dos povos, em especial na América Latina e Caribe” (n.123). Importante destacar que os cristãos leigos e leigas devem ser sal na terra e luz política. A CNBB tem o centro de formação dos cristãos na política. A CNBB conta com o CEFEP Centro Nacional fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP), para formar cristãos engajados na política. Que o Espírito Santo ilumine e que ninguém seja corrupto ou corrompido nessas eleições.

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