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Bispos do Nordeste pedem ações emergenciais e estruturantes para o semiárido cearense

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Os bispos do Regional Nordeste 1 da CNBB divulgaram nesta quinta-feira (20) um documento pedindo ações emergenciais e estruturantes para a população que vive no Semiárido cearense.

"O Semiárido está mergulhado em uma das maiores secas dos últimos 40 anos. Da chegada dos portugueses aos dias atuais, já se somam 72 grandes secas com características similares. Este fenômeno é previsível e seus efeitos sobre a população são extremamente graves com consequências em todos os setores da região", destaca o documento. 

Dos 184 municípios do Estado do Ceará, 176 encontram-se em estado de emergência decretados, realidade que se apresenta mais desumana, porque no Semiárido se concentra mais da metade da população pobre do país, aproximadamente 58%, de acordo com o Ministério da Integração Nacional.

O documento é assinado pelo Regional Nordeste I da CNBB e por organizações da sociedade civil, como a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura do Ceará (FETRAECE), Fórum Cearense pela Vida no Semiárido (FCVSA), Movimento dos Atingidos e Atingidas por Barragem (MAB) e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

Os bispos e os movimentos indicam sete ações emergenciais e 22 estruturantes. Entre as emergenciais: 

a) Abastecimento imediato e contínuo das cisternas com água tratada distribuída gratuitamente pelas empresas públicas estaduais e municipais de abastecimento de água e/ou exército;
b) Ampliar a oferta do milho subsidiado e distribuído pela CONAB, dando celeridade a distribuição, para que os agricultores familiares tenham condições de alimentar e salvar seus rebanhos;
c) Desburocratizar e diminuir o prazo de espera do agricultor para acessar as linhas de crédito emergenciais. Propomos que sejam realizadas ações imediatas junto ao Banco do Nordeste, principal agente financeiro do Pronaf, para que amplie seu quadro pessoal e gere maior celeridade na liberação dos créditos emergenciais;
d) Renegociação das dívidas agrícolas dos agricultores familiares;
e) Ampliar o valor da parcela do garantia safra, equiparando ao valor da cesta básica que é de R$ 300,00 em Fortaleza;
f) Ampliar o valor da parcela mensal do bolsa estiagem para R$ 120,00.
g) Equipar e recuperar e instalar imediatamente todos poços profundos que se encontram sem funcionamento, para garantir oferta hídrica á população da zona rural. 

O documento de seis páginas foi apresentado em uma coletiva com os bispos de Limoeiro do Norte e presidente do Regional Nordeste 1, dom José Haring;  de Iguatu, dom João Costa; de Itapipoca e presidente da Cáritas Regional, dom Antonio Cavuto;  de Sobral, dom Odelir José Magri; e o bispo auxiliar da arquidiocese de Fortaleza, dom José Luís Vasconcelos.

Para dom José Haring  a Igreja procura se envolver, em cada diocese, buscando soluções para o problema do clima, e os bispos, membros do Conselho Episcopal Regional (Conser), partilham e discutem as experiências de cada Igreja diocesana.

Para o bispo de Iguatu, dom João Costa, a prioridade do Brasil não são as grandes e onerosas obras, mas sim pão e água. "Ninguém vive sem pão e água", disse o bispo. E chamou a atenção questionando sobre qual a real prioridade de Governo. "O Governo quer enfrentar com seriedade a questão da fome, da miséria e da falta de água no nosso semiárido", indagou.

“Precisamos olhar isso e cobrar. Pedir que o nosso Governo olhe com cuidado, com carinho essas questões”, finalizou.

O assessor técnico da Cáritas Brasileira, Alessandro Nunes, apresentou a realidade da seca e as ações que o Estado pode empreender para melhorar a convivência da população com o semiárido. 

“A seca não é simplesmente um caso de fenômeno natural, não é somente isso, a seca como a pobreza e a miséria são situações que devem ser superadas”, disse Alessandro. Segundo o assessor, é preciso que se tomem medidas estruturantes para que as consequências da seca possam ser superadas, como a garantia e acesso à água para a população e animais beberem, para a produção agrícola e para tantas outras necessidades individuais e coletivas.

Acesse a íntegra da declaração: DOCUMENTO DOS POVOS DO SEMIÁRIDO CEARENSE

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