Por Redação A12 Em Igreja Atualizada em 03 DEZ 2019 - 16H38

Bispos posicionam-se após fato violento em Paraisópolis

Shutterstock
Shutterstock


O Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Joel Portella Amadoenviou carta ao Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, e a Dom Pedro Luiz Stringhini, Presidente do Regional Sul 1, em razão dos tristes acontecimentos em Paraisópolis, na capital paulista, que resultou na morte de nove adolescentes e jovens na madrugada de 1º de dezembro.

Na mensagem, o secretário-geral da CNBB manifesta, de modo especial, solidariedade aos diretamente envolvidos na tragédia. Na carta, Dom Joel afirma ser dever da Igreja e dos cristãos, diante da indiferença e da morte, proclamar o irrenunciável valor da vida. O documento afirma que toda pessoa possui o inalienável direito à vida, o qual ninguém tem o poder de exterminar.

Confira a íntegra da carta:

"Nossa Conferência se solidariza com os senhores, os demais irmãos bispos do Regional Sul 1 e, de modo especial, com os diretamente atingidos pelos tristes acontecimentos em Paraisópolis, em que vidas foram ceifadas. Num mundo em que, recorda-nos o Papa Francisco, a indiferença se tornou globalizada (EG 54), corremos o forte risco de nos acostumarmos com a violência e a morte, passando a considerá-la até mesmo como solução para os impasses que encontramos. Agradecendo pela nota do Regional, reafirmo ser nosso dever, diante da indiferença e da morte, incansavelmente proclamar o irrenunciável valor da vida.

Impactados pela juventude levada embora, afirmamos que o valor da vida ultrapassa os limites da idade. Toda pessoa, desde a fecundação até a morte natural possui um inalienável direito à vida, o qual ninguém tem o poder de exterminar. Pensando especificamente nos jovens de Paraisópolis e de todo o nosso querido Brasil, uno-me ao Regional Sul 1 no compromisso por “direito à educação, ao trabalho, ao lazer e acesso aos bens culturais”. Contribuiremos efetivamente para o crescimento de nossa nação na medida em que cuidarmos de seu maior tesouro, que é o seu povo.

Leia MaisAção da Polícia Militar em Paraisópolis foi inadequada, avalia especialista O triste acontecimento de Paraisópolis ocorreu no início do Advento, tempo de espera e esperança. Aguardamos o Cristo que há de vir para a todos julgar. Mantemo-nos na esperança de que o mal, por maior que venha a ser, não tem o poder de emitir a última palavra. Essa é e será sempre do Deus da Vida, da Justiça e da Paz.

Recebam, pois, caro irmão, e, por seu intermédio também o Regional Sul 1 e os diretamente atingidos pelo ocorrido nossa união, nossas orações e nosso compromisso por sempre trabalhar pela vida, de modo especial a mais fragilizada.

Na comunhão e na solidariedade e em nome de toda a presidência da CNBB,

Em Cristo Jesus"

Dom Joel Portella Amado

Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro

Secretário-Geral da CNBB


Os Bispos do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também manifestaram lamento pelos atos violentos que resultaram nesta tragédia em Paraisópolis.

Confira íntegra abaixo:

"Ele há de julgar as nações e arguir numerosos povos; estes transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices: 
não pegarão em armas uns contra os outros e não mais travarão combate” (Is 2,4).

Nós, Bispos do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), diante da triste e assustadora notícia da grave ocorrência em Paraisópolis, na Cidade de São Paulo, na madrugada deste 1° de dezembro, em que nove jovens perderam suas vidas e vários outros foram feridos, queremos manifestar nosso lamento pelos atos violentos que resultaram nesta tragédia.

Tendo em nossos corações os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, repudiamos toda forma de violência, manifestação de ódio e desrespeito à vida.

De modo particular, expressamos a fraternal solidariedade da Igreja Católica às famílias atingidas por este grave golpe mortal e sangrento, que dilacerou seus corações. Reafirmamos nossa opção preferencial pela juventude fazendo ecoar, nesta lamentável circunstância, o grito de milhões de jovens excluídos do direito à educação, ao trabalho, ao lazer e acesso aos bens culturais deste País.

Nas periferias dilaceradas pela ausência de recursos materiais e políticas públicas indispensáveis ao bem-estar, fraternidade e sociabilidade, em que se partilhe a vida com alegria e segurança, compreendemos que nossos jovens pobres e carentes procurem, a seu modo e como podem, oportunidades de lazer e encontro. Cumpre a todas as pessoas de boa vontade e senso ético, particularmente nas instâncias políticas responsáveis pelos aparatos de segurança do Estado, propiciar a todos, principalmente à população mais vulnerável, oportunidades e projetos eficazes que visem à superação da violência e das desigualdades econômicas e sociais. Não é ético nem patriótico que os recursos humanos e materiais sejam instrumentalizados para ferir e eliminar a vida e a dignidade de cada ser humano.

A Igreja Católica reafirma seu propósito e compromisso com a evangelização da juventude, na convicção que, providos dos mais nobres sentimentos e valores familiares, culturais, religiosos e humanos, os jovens trilharão caminhos de justiça e cidadania, livres das circunstâncias que conduzem à violência e à morte.

Que a mensagem de amor e a paz, celebrada no Natal que se aproxima, seja o horizonte de esperança nos caminhos da juventude e da sociedade brasileira. E que Jesus Cristo renasça em nossos corações.

Dom Pedro Luiz Stringhini
Presidente


Dom Edmilson Amador Caetano
Vice-presidente


Dom Luiz Carlos Dias
Secretário

1 Comentário

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Anterior
Próximo
Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Redação A12, em Igreja

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.