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“Como poderia deixar os cristãos?”, diz bispo de Trípoli, na Líbia

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O vigário apostólico de Trípoli, na Líbia, dom Giovanni Innocenzo Martinelli, disse que permanecerá no país mesmo diante das ameaças feitas aos cristãos em seu país pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI). "Devo permanecer! Como deixar os cristãos sozinhos?", disse o bispo católico à Rádio Vaticano. 

Foto de: reprodução. 

Dom Giovanni Innocenzo Martinelli

Dom Giovanni Innocenzo Martinelli,
pode ser o último italiano na Líbia.

Dom Martinelli informou em entrevista a diversos veículos italianos que apenas um pequeno grupo de filipinos permanece no país e dizem estar prontos para o sacrifício. “Estamos aqui, como testemunhas daquilo que Jesus nos disse para fazer. E basta!”, destacou o bispo.

“São sobretudo enfermeiros, principalmente mulheres, que decidiram permanecer porque as exigências de saúde da população estão aumentando”, esclareceu Dom Martinelli.

O bispo que vive desde a década de 70 na Líbia foi nomeado por um jornal italiano como um “general sem exército”. Dos 150 mil batizados que havia na Líbia quando chegou, restam menos de 300.

Dom Giovanni pode ser também o último italiano no país. Na última semana, a Itália fechou a embaixada na Líbia e repatriou todos os italianos residentes no país diante do agravamento do avanço dos jihadistas. “Não existe mais nenhum italiano aqui”, confirmou dom Martinelli. A Itália foi o último país a fechar sua sede diplomática na Líbia.

Dom Giovanni considera muito complexa a situação criada no país, mas defende que é necessário “procurar ajudá-los a refletir, mas não com a força, com o diálogo”.

"Na igreja, vieram me dizer que eu devo morrer. Mas eu quero que se saiba que o padre Martinelli está bem, e que a sua missão poderia chegar ao fim. Vi cabeças cortadas e pensei que eu também poderia ter esse fim. E, se Deus quiser que esse fim seja a minha cabeça cortada, assim será, mesmo que Deus não busque cabeças cortadas, mas outras coisas em um homem... Poder dar testemunho é uma coisa preciosa. Agradeço ao Senhor que me permite fazer isso, até com o martírio. Não sei até onde esse caminho vai me levar. Se me levar à morte, isso significa que Deus escolheu isso para mim... Daqui eu não saio. E não tenho medo”, declarou em entrevista a um jornal italiano, confirmando seu desejo de permanecer no país.

Papa Francisco

Na última quarta-feira, 18, o Santo Padre apelou a uma intervenção internacional para travar o conflito na Líbia, evocando os 21 cristãos egípcios assassinados por fundamentalistas islâmicos. 

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