Por Tatiana Bettoni Em Igreja

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs comenta tema da CF 2015

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Foto de: CONIC

Lancamento_CF_CNBB

Lançamento nacional da Campanha da Fraternidade 2015 em Brasília, 18/2/2015.

 

 

 

 

 

 

 A Igreja Católica lançou na semana passada a Campanha da Fraternidade 2015, com o tema "Fraternidade: Igreja e Sociedade", e lema "Eu vim para servir" (Mc 10,45). Sobre essa temática, o portal A12 entrevistou a representante do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), secretária-geral Romi Márcia Bencke, que é pastora luterana. Ela falou sobre diálogo inter-religioso, ecumenismo e participação do CONIC no processo de criação e divulgação da CF junto à CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

A12 - Como o CONIC recebeu o tema da Campanha da Fraternidade 2015, "Igreja e Sociedade"? 

Romi Bencke - Este tema é de grande relevância para as Igrejas de uma forma geral. Destacar a dimensão diaconal ou de serviço que as Igrejas realizam é afirmar a própria missão das Igrejas e assumir o mandato deixado a nós por Jesus em diversas passagens do Evangelho. Talvez, neste caso, poderíamos lembrar da passagem do Evangelho de Marcos 16.15, onde diz: Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Nova para toda a humanidade. O anúncio da Boa Nova é exatamente o colocar-se a serviço do Reino de Deus, que representa nossa esperança em uma humanidade transformada. Trata-se da nossa esperança de um mundo com menos violência, desigualdades, racismo e intolerância.

Para alcançarmos esta esperança é necessário que, impulsionados e impulsionadas pela fé em Jesus Cristo, nos coloquemos à disposição para servir à causa do Reino. É evidente que os tempos atuais são bastante complexos. Para o serviço é necessário também bastante discernimento. Jesus em sua missão entre nós colocou-se claramente ao lado das pessoas pobres e excluídas. Ele criticou todas as formas de farisaísmos e legalismos. Destacou valores como liberdade, diálogo, respeito. Nosso serviço precisa espelhar-se e inspirar-se neste Jesus que se fez humanos entre nós. A Igreja, neste sentido, precisa constantemente atualizar este seu mandato. Discernir os sinais dos tempos para manter viva e atuante sua voz profética. O tema da Cf de 2015 nos possibilitará refletir sobre esta missão: colocar-se a serviço ou ser Igreja que caminha e peregrina em direção a um mundo de justiça e paz. 

A12 - A partir do tema, todas as religiões podem sentir-se convidadas a contribuir para uma sociedade mais justa? 

Foto de: CONIC

Romi Benke

Secretária-geral do CONIC, Romi Márcia Bencke.

Romi Bencke - Certamente sim. Por mais que vivamos em sociedades cada vez mais secularizadas é inegável o papel que as religiões têm desempenhado para a paz, o diálogo, para o respeito entre culturas. Aqui no Brasil, poderíamos lembrar todo o debate protagonizado de maneira especial por lideranças de religiões de matriz africana problematizando a intolerância religiosa. Também podemos lembrar a ação de diferentes Igrejas na temática da agroecologia e o incentivo para uma produção de alimentos livres de agrotóxico. Todo o envolvimento de organizações ligadas às Igrejas na promoção e defesa das causas indígenas e seu compromisso incondicional com estes povos que sofrem as conseqüências da expansão capitalista.

Há ainda o envolvimento de organizações religiosas na promoção e defesa dos direitos humanos. Em termos quantitativos talvez seja difícil mensurar o trabalho realizado por organizações religiosas em favor de uma sociedade mais justa. Mas, mesmo assim, arriscaria dizer que o impacto positivo provocado por estas organizações na sociedade é forte. Possibilitar a visibilização deste aspecto positivo da atuação das religiões na sociedade é importante, considerando que atualmente o que mais chama a atenção é a intolerância e os fundamentalismos religiosos. Intolerância e fundamentalismo representam uma face distorcida das religiões. Há toda uma outra atuação positiva das religiões que quase não é vista. 

A12 - A campanha é aberta o suficiente ao ecumenismo?​

Romi Bencke - Sim, o tema é bastante ecumênico e interessa a todas as Igrejas. É claro que o envolvimento das demais Igrejas é restrito, pois cada Igreja tem seus temas próprios que são escolhidos anualmente para serem refletidos. A Igreja Anglicana, por exemplo, está trabalhando a temática da violência de gênero em suas comunidades. A IECLB está trabalhando o tema Igreja da Palavra: chamad@s para comunicar. O lema bíblico é: Então, Jesus perguntou: sobre o que vocês estão conversando pelo caminho? (Lucas 24.17). O objetivo é estimular as comunidades refletirem sobre suas práxis a partir da fé.  

A12 - Como é a atuação do CONIC na preparação e divulgação da CF? 

Romi Bencke - O CONIC como organismos institucional das Igrejas que o integram procura contribuir no processo de reflexão dos temas propostos pelas Igrejas. Creio que o CONIC mesmo é uma conseqüência da atuação social das Igrejas. No processo de criação do CONIC estava justamente a preocupação das Igrejas unirem forças para um testemunho público conjunto. Nossa atuação ocorre mais nesta segunda fase da CF, que é a de divulgação do tema da CF e de dar espaço para a visibilizar o que está sendo debatido no âmbito da Campanha. Também estamos em processo de preparação da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016. A Campanha deste ano certamente já será um elo de ligação da CFE 2016. 

A12 - A eficácia do diálogo inter-religioso depende de ações como a CF? 

Foto de: Divulgação

Cf - Campanha da Fraternidade 2015

Texto-base da CF 2015.

Romi Bencke - Sim, de ações como a da CF, certamente, e também de outras ações menores, muitas vezes, mas tão importantes quanto. O diálogo inter-religioso depente muito da nossa abertura em ouvir o diferente, em valorizar a pluralidade e a diversidade que compõem nosso país. Pequenos grupos que se reúnem para refletir sobre religião e sobre a relação entre Igreja e sociedade são sempre sinais positivos do nosso testemunho. É importante nos conhecermos e fortalecermos mutuamente nossas diferentes ações e iniciativas. A oração é que Deus sempre nos inspire e nos anime para sermos protagonistas de experiências que sinalizem para a viabilidade do diálogo.

Leia também: Cardeal Damasceno recebe imprensa em coletiva sobre Campanha da Fraternidade

 

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