Por Joana Darc Venancio Em Igreja Atualizada em 25 SET 2017 - 11H23

Educar com especiais qualidades de inteligência e de coração

A ação docente não é repasse frio de conteúdos e de definições acadêmicas. Não é possível realizar o processo educativo sem levar em conta a vida do aprendiz para além de sua condição de aluno.

É bela, portanto, e de grande responsabilidade a vocação de todos aqueles que, ajudando os pais no cumprimento do seu dever e fazendo as vezes da comunidade humana, têm o dever de educar nas escolas; esta vocação exige especiais qualidades de inteligência e de coração, uma preparação esmeradíssima e uma vontade sempre pronta à renovação e adaptação. (Gravissimum Educationis, 5) 

líder educador

O Professor deve viver uma relação austera, compromissada com a causa daquele que pretende formar, sem que seja perdida a autoridade da docência, cumprindo sua missão educativa com especiais qualidades de inteligência e de coração.

 

"A rotina do professor é envolvida pelos sentimentos humanos (...). Se esses sentimentos não forem harmonizados, arriscam o processo educativo...".

A rotina do professor é envolvida pelos sentimentos humanos. Ele também traz em si, as condições humanas, tanto quanto seu aluno. Se esses sentimentos não forem harmonizados, arriscam o processo educativo, pois lidar com gente é envolver-se em pequenas e grandes histórias de vida, é consolidar o ser humano como ser incontestavelmente dependente das relações.

Para uma relação autêntica entre professor e aluno, não pode ocorrer destituição do lugar de cada um, mas fazer de cada lugar, o sentido próprio que a existência humana adquire. Nesta rotina, o professor necessita de grande habilidade para não se confundir em sua autoridade. Seu lugar e papel devem fazer diferença. Ele, o professor, deve ser um e não simplesmente mais um. 

Na autenticidade o professor colabora para a harmonia da rotina, pois ao sair de sua omissão, ao desvendar-se, ao expor-se e ao assumir seu lugar, não gera confusões, mas possibilita recorrerem a ele, sempre que necessitarem do professor, e não de performances que ofuscam seu lugar, papel e missão. Assim, é possível que o próprio aluno, por vontade própria, lhe devolva a autoridade abdicada, assim como Emílio agiu com Rousseau: 

 

"O professor, ao assumir a missão do ato educativo, toma em suas mãos a vida do aluno e com ela, a responsabilidade de sua formação plena".

Meu amigo, meu protetor, meu mestre, retomas a autoridade de que queres abdicar no momento em que é mais importante para mim que permaneças; até agora só a tinhas por causa de minha fraqueza, mas agora a terás por minha vontade, e assim ela será mais sagrada para mim. Defende-me de todos os inimigos que me assaltam, e sobretudo dos que trago comigo e que me traem; cuida de tua obra para que eu permaneça digno de ti. (ROUSSEAU, J. Emílio. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 446-447). 

O professor, ao assumir a missão do ato educativo, toma em suas mãos a vida do aluno e com ela, a responsabilidade de sua formação plena. Aprendendo e apreendendo esta missão, buscará caminhos para resgatar a escola como lócus de promoção dos valores. 

Entre todos os meios de educação, tem especial importância a escola, que, em virtude da sua missão, enquanto cultiva atentamente as faculdades intelectuais, desenvolve a capacidade de julgar retamente, introduz no património cultural adquirido pelas gerações passadas, promove o sentido dos valores, prepara a vida profissional, e criando entre alunos de índole e condição diferentes um convívio amigável, favorece a disposição à compreensão mútua; além disso, constitui como que um centro em cuja operosidade e progresso devem tomar parte, juntamente, as famílias, os professores, os vários agrupamentos que promovem a vida cultural, cívica e religiosa, a sociedade civil e toda a comunidade humana. (Gravissimum Educationis5) 

Quantas vidas transitam, todos os dias, pelo cotidiano escolar? Quantos anos e quantas horas de nossa existência, passamos na escola? Se a escola é o local onde as novas gerações passarão grande parte da vida, nosso olhar sobre ela deve ser atento, preocupado e constante.  Muitos riscos habitam a escola e eles vêm das mais variadas ideologias que atacam diretamente o projeto de formação que nós, Católicos, defendemos a partir das orientações de Jesus e da Igreja.

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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