Por Joana Darc Venancio Em Igreja

Educar na fé e para a fé I: A "emergência educativa"

EDUCAR NA FÉ E PARA FÉ 
OS JUSTOS BENEFÍCIOS DA
EDUCAÇÃO E DA INSTRUÇÃO
 

A Educação na fé e pela fé merece de nós ampla e intensa preocupação. Para contribuir, proponho uma reflexão organizada em três partes. A primeira a “Emergência Educativa”; a segunda: "A escola e a 'ditadura do relativismo'" e a terceira “Alguns cuidados necessários aos que pretendem educar na fé e pela fé”. 

“E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52) 

Todos nós, católicos, também gostamos de dizer esta frase ao olharmos para os nossos filhos, alunos, catequizando, tutelados e para todos que temos direta ou indiretamente a missão de educar. Imaginemos dizer que todos, os que por nós foram e são educados cresceram, crescem e crescerão em Graça, estatura e sabedoria diante de Deus e dos homens.

Não vamos deter esta reflexão aos educandos, mas aos educadores. Temos sido fontes de formação de sujeitos íntegros? Somos referenciais coerentes com os valores do Evangelho e da Igreja?

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A Igreja, através de muitos documentos dedicados à Educação, tem refletido sobre a “emergência educativa”. Ao se preocupar com essa emergência, ela nos chama a refletir intensamente sobre os grandes desafios de educar. Desafios intensificados neste novo contexto histórico, que nos embaraça, que nos desestabiliza e nos faz acreditar e defender o relativismo como princípio democrático, sem que percebamos a força devastadora do mesmo. O relativismo está matando as grandes e eternas verdades dos valores cristãos, éticos e morais.

 

"Educar na fé e para a fé não é missão fácil, ao contrário, é missão desafiadora que exige a coerência, o testemunho e o exemplo daquele que pretende educar".

Educar na fé e para a fé não é missão fácil, ao contrário, é missão desafiadora que exige a coerência, o testemunho e o exemplo daquele que pretende educar. Educar na fé está nos primórdios do Evangelho e nos fundamentos da Igreja. Somente educando na fé e para fé é possível constituir comunidades cristãs. E desta educação depende o futuro do Cristianismo e da Igreja. Foi pela educação na fé e para fé que herdamos a doutrina e os valores Cristãos-Católicos.

Quando não assumimos a Educação na Fé e para Fé, colaboramos para que esse estado de relativismo se mantenha e nos arraste para a defesa dos “tempos líquidos”. O Catecismo da Igreja Católica orienta sobre a necessidade da Educação na Fé e para a Fé. A Igreja Católica, através de seu Catecismo, nos apresenta as consequências quando negligenciamos esta missão. 

Na medida em que rejeita ou recusa a existência de Deus, o ateísmo é um pecado contra a virtude da religião. A imputabilidade desta falta pode ser seriamente diminuída em virtude das intenções e das circunstâncias. Na gênese e difusão do ateísmo, "grande parcela de responsabilidade pode caber aos crentes, na medida em que, negligenciando a educação da fé, ou por uma exposição enganosa da doutrina, ou por deficiência em sua vida religiosa, moral e social, se poderia dizer deles que mais escondem do que manifestam o rosto autêntico de Deus e da religião" (Catecismo da Igreja Católica §2125) 

O sentimento da Esperança faz a sintonia entre a Teologia (Os fundamentos de nossa Fé) e a Pedagogia (as práticas educacionais). Ambas buscam o sentido da existência para qual é necessário redimensionar a condição humana. Urge que sejam derrubadas as estruturas que desumanizam e impedem o Ser Humano de viver plenamente o seu Ser. É na esperança que se refaz a certeza do inacabamento e a possibilidade de recriação ou religação da humanidade ao sentido próprio de sua existência, que para o Cristão é a ligação com Jesus. Daí a importância de nosso conhecimento profundo sobre o pensamento da nossa Igreja Católica Apostólica Romana acerca da Educação, da formação humana. Daí a importância e urgência da Educação na Fé e pela Fé.

Recentemente, em um congresso de educação católica realizado em Roma, Papa Francisco fez um discurso de encerramento que muito nos ajuda a refletir a Educação na fé, pela fé, para a fé.

 

"Educar cristãmente é levar por diante os jovens, as crianças nos valores humanos em todas as realidades, e uma destas realidades é a transcendência", Papa Francisco.

"Não se pode falar de educação católica sem falar de humanidade, porque a identidade católica é precisamente Deus que se fez homem. Ir em frente nas atitudes, nos valores humanos, plenos, abre a porta à semente cristã. Depois vem a fé. Educar cristãmente não é só fazer uma catequese: esta é uma parte. Não é só fazer proselitismo — nunca façais proselitismo nas escolas, nunca! — Educar cristãmente é levar por diante os jovens, as crianças nos valores humanos em todas as realidades, e uma destas realidades é a transcendência. Hoje há a tendência a um neopositivismo, ou seja, a educar para as coisas imanentes, para o valor das coisas imanentes, e isto tanto nos países de tradição cristã como nos países de tradição pagã. O que não significa introduzir os jovens, as crianças na realidade total: falta a transcendência. Para mim, a maior crise da educação, na perspectiva cristã, é este fechamento à transcendência. Somos fechados à transcendência. É preciso preparar os corações para que o Senhor se manifeste, mas na totalidade; ou seja, na totalidade da humanidade que tem também esta dimensão de transcendência. Educar humanamente, mas com horizontes abertos. Nenhum tipo de fechamento beneficia a educação".[1] 

O Papa Paulo VI, na Declaração Gravissimum Educationis, sobre a educação cristã, afirma: 

"Por isso, é necessário que, tendo em conta os progressos da psicologia, pedagogia e didática, as crianças e os adolescentes sejam ajudados em ordem ao desenvolvimento harmônico das qualidades físicas, morais e intelectuais, e à aquisição gradual de um sentido mais perfeito da responsabilidade na própria vida, retamente cultivada com esforço contínuo e levada por diante na verdadeira liberdade, vencendo os obstáculos com magnanimidade e constância. Sejam formados em uma educação sexual positiva e prudente, à medida que vão crescendo. Além disso, de tal modo se preparem para tomar parte na vida social, que, devidamente munidos dos instrumentos necessários e oportunos, sejam capazes de inserir-se ativamente nos vários agrupamentos da comunidade humana, se abram ao diálogo com os outros e se esforcem de boa vontade por cooperar no bem comum. De igual modo, o sagrado Concílio declara que as crianças e os adolescentes têm direito de serem estimulados a estimar retamente os valores morais e a abraçá-los pessoalmente, bem como a conhecer e a amar Deus mais perfeitamente. Por isso, pede insistentemente a todos os que governam os povos ou orientam a educação, para que providenciem que a juventude nunca seja privada deste sagrado direito. Exorta, porém, os filhos da Igreja a que colaborem generosamente em todo o campo da educação, sobretudo com a intenção de que se possam estender o mais depressa possível a todos e em toda a parte os justos benefícios da educação e da instrução".[2] 

Os ensinamentos da Igreja acerca da educação nos possibilita refazer a reflexão, superar as contradições, evidenciar novas perguntas e acrescentar novas dimensões à formação humana. A ligação com a transcendência não pode perder de vista a íntima ligação com a realidade do sujeito. Neste sentido, a existência e as vivências humanas para os educados na fé e pela fé, não são consideradas como fatalidades, mas escolhas claras e reais. Se eu escolho ser reto vou pronunciar e executar a retidão. “Diante de ti ponho a vida e ponho a morte, mas tens que saber escolher” (Dt 30, 19). A deliberação é a capacidade de escolher a própria condição. Nas possibilidades das escolhas retas, são impedidas as fatalidades. Educar na fé e pela fé forma sujeitos íntegros, retos e que sabem escolher a vida. 

Joana Darc Venancio
Coordenadora da Pastoral da Educação da Diocese de Itaguaí/RJ
Graduada em Pedagogia, Mestre em Filosofia da Educação
e Doutora em Filosofia pela Universidade Gama Filho

Atua como Professora da Universidade Estácio de Sá

 

Leia o texto completo dessa reflexão: 

Na quarta-feira, 24, confira o segundo texto dessa série de artigos com o tema: "Educar na fé e para a fé II: A escola e a "ditadura do relativismo" e na quinta-feira, 25, o terceiro e último artigo com o tema: "Educar na fé e para a fé III: Alguns cuidados necessários aos que pretender educar na fé e pela fé". 

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