Igreja

Educar para a responsabilidade: caminho para escolhas conscientes

Joana Darc Venancio (Redação A12)

Escrito por Joana Darc Venancio

13 ABR 2023 - 10H24 (Atualizada em 13 ABR 2023 - 16H44)

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O nosso cotidiano deve ser pautado por escolhas, para que não vivamos de fatalidades. Na dinâmica da vida, há situações, fatos ou acontecimentos que nem sempre conseguimos evitar e que, necessariamente, não dependem de nós.

No entanto, quando nossas escolhas estão pautadas por alicerces bem fundamentados, nos livramos de muitas intempéries, nos protegemos de males e nos afastando do que não nos convém.

Assim como afirma são Paulo: 

"Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma." (I Cor 6,12).

No início de nossa caminhada de fé, ouvimos de nossos catequistas que ir à missa é uma obrigação. E é! Com a maturidade da fé, a obrigação passa a ser vivenciada como escolha. É a obrigação transformada em escolha e decisão de vida. Poderíamos citar, tantos outros exemplos de obrigações: chegar no horário, respeitar os mais velhos, colaborar nas tarefas de casa...enfim, pequenas e grandes obrigações que constroem valores sólidos.

Neste sentido, não devemos nos envergonhar de educar para as obrigações, para os preceitos e para as regras. Evidente que não se trata de uma educação de repasse de um conteúdo meramente doutrinal, de ideais abstratos e desligados dos pequenos gestos de cuidado mútuo.

Como alerta Papa Francisco na Carta Encíclica Fratelli Tutti:

“alguns aspectos da nossa doutrina, fora do seu contexto, não acabem por alimentar formas de desprezo, ódio, xenofobia, negação do outro (282).”

Dessa forma, com os devidos cuidados e sabedoria, devemos defender uma Educação que prepare para a negação ao relativismo e desenvolva valores e a capacidade de fazer escolhas conscientes a partir do Evangelho.

O cumprimento de obrigações, preceitos, regras e princípios é necessário para que possamos escolher o caminho da verdade. Em toda situação de nossas vidas, sejam familiares, profissionais, sociais e religiosas, necessitamos desses códigos que orientam nossos comportamentos interiores ou exteriores. São como bússolas, que indicam as rotas seguras.

Não devemos abrir mão de formar para o cumprimento dos princípios, dos preceitos e das regras. A indicação de rotas seguras garante o combate necessário ao relativismo. Os Mandamentos nos permitem ter clareza da importância das obrigações.

O Papa Francisco, na Encíclica Lumen Fidei (46), orienta que:

(...) o Decálogo adquire a sua verdade mais profunda, contida nas palavras que introduzem os Dez Mandamentos: « Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egito (Ex 20, 2). O Decálogo não é um conjunto de preceitos negativos, mas de indicações concretas para sair do deserto do « eu » autorreferencial, fechado em si mesmo, e entrar em diálogo com Deus, deixando-se abraçar pela sua misericórdia a fim de a irradiar. (...) O Decálogo aparece como o caminho da gratidão, da resposta de amor, que é possível porque, na fé, nos abrimos à experiência do amor de Deus que nos transforma. E este caminho recebe uma luz nova de tudo aquilo que Jesus ensina no Sermão da Montanha (Mt 5 - 7).

A negação das obrigações, dos preceitos e princípios abre precedentes e espaço para o estabelecimento da indisciplina, do permissivismo, do relativismo e da desordem pessoal e coletiva. Esses códigos não devem ser compreendidos como controladores da liberdade, da espontaneidade e da subjetividade, mas aliados na conduta ética e moral. O catolicismo, por exemplo, é uma doutrina de preceitos mediadores da vida do fiel em todos os espaços de convivência, conforme podemos conferir em vários parágrafos do Catecismo, como por exemplo:

"O dever dos cristãos de tomar parte na vida da Igreja leva-os a agir como testemunhas do Evangelho e das obrigações dele decorrentes. Esse testemunho é transmissão da fé em palavras e atos. O testemunho é um ato de justiça que estabelece ou dá a conhecer a verdade: Todos os cristãos, onde quer que vivam, pelo exemplo da vida e pelo testemunho da Palavra, devem manifestar o novo homem que pelo Batismo vestiram e a virtude do Espírito Santo que os revigorou pela Confirmação". (§2472)

A Igreja tem inúmeros documentos que fundamentam como a Fé deve pautar a vivência e a convivência religiosa e social. São orientações que estabelecem prescrições, indicações e que ensinam a respeitar as normas, inclusive as leis sociais. Na Encíclica Fratelli Tutti, também orienta Papa Francisco:

"(...) vivemos já muito tempo na degradação moral, baldando-nos à ética, à bondade, à fé, à honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. (...) Cada sociedade precisa de garantir a transmissão dos valores; caso contrário, transmitem-se o egoísmo, a violência, a corrupção nas suas diversas formas, a indiferença e, em última análise, uma vida fechada a toda a transcendência e entrincheirada nos interesses individuais." (113)

Educar para as obrigações é despertar para a responsabilidade pessoal e coletiva; para a convivência fraterna; para o respeito mútuo. Educar para as obrigações é uma resposta objetiva e prática à proposta de cancelamento dos valores éticos, morais e religiosos e do individualismo acelerante.

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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