Por Joana Darc Venancio Em Igreja Atualizada em 25 SET 2017 - 11H20

Educar para participação na vida política é uma obrigação moral

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O ser humano não é um ser pronto, mas se faz aos poucos até que possa atingir seu desenvolvimento potencial. Nisto consiste a estreita ligação entre o éthos (costume) e o êthoshéxis (hábito), que se encontram no cotidiano da existência humana. Que o homem seja um animal e, como tal, limitado por uma série de determinações, é uma evidência, mas ele pode transcender sua mera condição biológica. Isso significa que, embora imerso na lógica determinista, o homem não se reduz à ela.

 
 

Neste sentido, a Educação é convocada a ser uma Poiésis, ou seja, ser Criadora e criativa. Sem essa condição estará presa aos determinismos que a impedem de contemplar novos horizontes. O sujeito da Educação não deve se contentar sobre todas as determinações que pesam sobre si, mas criar para novas deliberações. Assim, podemos concluir que a Poiésis não é a indeterminação, mas a constituição de novas determinações. A vida deve ser constituída por escolhas e não por fatalidades. Este é um dos grandes objetivos da Educação. A criação, entendida como novas determinações, não se estabelece numa relação de contrariedade entre o homem e a sociedade, pois esses são parte de um mesmo processo criador. Não existem dois domínios separados, o domínio da sociedade e domínio do homem. O homem só existe na e pela sociedade e a sociedade, na relação com o outro em busca do bem comum. O Catecismo da Igreja Católica afirma:

§1905:Em conformidade com a natureza social do homem, o bem de cada um está necessariamente relacionado com o bem comum. Este só pode ser definido em referência à pessoa humana: Não vivais isolados, retirados em vós mesmos como se já estivésseis justificados, mas já estivésseis justificados, mas reuni-vos para procurar juntos o que é o interesse comum.

Aristóteles nos fornece o conceito de phrónesis, que significa a prudência ou a sabedoria prática. As virtudes éticas e a phrónesis acontecem na experiência das relações humanas, no contexto da Polis (cidade). É nesse contexto político que o sujeito cumpre suas determinações e cria novas determinações que o identificam como cidadão. Portanto, não há como buscar novos rumos, novo tempo, ignorando a dimensão política. Vale conferir no Compendio da Doutrina Social Igreja Católica:

A pessoa humana é fundamento e fim da convivência política. Dotada de racionalidade, é responsável pelas próprias escolhas e capaz de perseguir projetos que dão sentido à sua vida, tanto no plano individual como no plano social. A abertura para a Transcendência e para os outros é o traço que a caracteriza e distingue: somente em relação com a Transcendência e com os outros a pessoa humana alcança a plena e completa realização de si. Isto significa que para o homem, criatura naturalmente social e política, «a vida social ... não é qualquer coisa de acidental» mas uma dimensão essencial e incancelável.384 

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A busca pelo Bem Supremo somente pode ser alcançada na convivência e harmonia com e na Pólis. No entanto, o viver bem não é definitivamente alcançado, já que não está preso em um tempo específico, mas se refaz, na medida em que o homem decidi para si novas determinações no seu ato constitutivo e reconstitutivo. Papa Francisco, na Encíclica Evangelli Gaudium, exorta com firmeza.

Lembremo-nos que «ser cidadão fiel é uma virtude, e a participação na vida política é uma obrigação moral». Mas, tornar-se um povo é algo mais, exigindo um processo constante no qual cada nova geração está envolvida. É um trabalho lento e árduo que exige querer integrar-se e aprender a fazê-lo até se desenvolver uma cultura do encontro numa harmonia pluriforme. (220)

Cada vez que o sujeito constitui a sua determinação, o que somente pode acontecer a partir da vida na Pólis, ele exerce a phrónesis, que é uma verdade prática que o contextualiza, humaniza e o coloca frente da interrogação sobre sua existência. No desvelamento de seu tempo, espaço e lugar, se torna criador e recriador de sua própria condição, superando a condição passiva e inclinando-se para bem (agathós).

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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