Por Joana Darc Venancio Em Igreja Atualizada em 27 NOV 2018 - 15H00

Emergência Educativa: Educar na fé e para a fé

"E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens". (Lc 2, 52)


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Que possamos sempre fazer essa afirmação sobre os nossos filhos, alunos, catequizandos, tutelados e sobre todos que, direta ou indiretamente, participamos da educação. Temos sido fontes de formação de sujeitos íntegros? Somos referenciais coerentes com os valores do Evangelho e da Igreja?

A Igreja, ao se preocupar com a “Emergência Educativa”, nos chama a refletir intensamente sobre os grandes desafios de educar no mundo secularizado. Mundo que nos embaraça, que nos desestabiliza e nos empurra o relativismo como princípio, sem que percebamos a força devastadora do mesmo. O Documento de Aparecida é categórico ao afirmar que:

No clima cultural relativista que nos circunda, se faz sempre mais importante e urgente
enraizar e fazer amadurecer, em todo o corpo eclesial, a certeza de que Cristo, o Deus de rosto humano, é nosso verdadeiro e único Salvador. (DAp: 21.p.22)

Estamos, de fato, diante de uma “Emergência Educativa”. Uma resposta concreta e eficaz é "educar na fé e para a fé". Não é missão fácil; ao contrário, é missão desafiadora, que exige a coerência, o testemunho e o exemplo daquele que pretende educar a outrem. Educar na fé está nos primórdios do Evangelho e nos fundamentos da Igreja. Somente educando na fé e para fé, é possível constituir comunidades cristãs e a nova sociedade. Desta educação depende o futuro do Cristianismo e da Igreja. “Todos reconhecerão que sois meus discípulos” (Jo 13,35). Foi pela educação na fé e para a fé que herdamos a doutrina e os valores Cristãos-Católicos. O Documento de Aparecida (101), responde:

Neste momento, com incertezas no coração, perguntamos com Tomé: “Como vamos saber o caminho?” (Jo 14,5).
Jesus nos responde com uma proposta provocadora: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).
Ele é o verdadeiro caminho para o Pai, o qual tanto amou ao mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer tenha a vida eterna (cf. Jo 3,16).
Esta é a vida eterna: “que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo teu enviado” (Jo 17,3).
 Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tuas palavras dão Vida eterna” (Jo 6,68).
A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida.“Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).

Quando não assumimos a Educação na Fé e para Fé, colaboramos para que o estado de relativismo se mantenha e nos arraste para a defesa dos “tempos líquidos”. Bento XVI, nosso querido Papa Emérito, nos convocou ao cuidado com a “ditadura do relativismo”, pois deixa cada um como medida de si mesmo e nos coloca a favor do individualismo e da efemeridade, permitindo que Deus seja banido de nossa existência, já que Deus é amor, Absoluto e Eterno. A ditadura do relativismo não tem consequência somente particular, mas envolve toda a sociedade e coloca em grande perigo a convivência social e a condição humana. Tudo que é absoluto e duradouro é considerado como maléfico à sociedade. O Catecismo da Igreja Católica orienta sobre a necessidade da Educação na Fé e para a Fé e nos apresenta as consequências quando negligenciamos esta missão.

Na medida em que rejeita ou recusa a existência de Deus, o ateísmo é um pecado contra a virtude da religião.
A imputabilidade desta falta, entretanto, pode ser seriamente diminuída, em virtude das intenções e das circunstâncias.
Na gênese e difusão do ateísmo, "grande parcela de responsabilidade pode caber aos crentes, na medida em que, negligenciando a educação da fé,
ou por uma exposição enganosa da doutrina, ou por deficiência em sua vida religiosa, moral e social,
se poderia dizer deles que mais escondem do que manifestam o rosto autêntico de Deus e da religião". (Catecismo da Igreja Católica §2125)

Leia MaisA Descoberta da Consciência: Fazer o bem e evitar o mal!Educação a distância também é obra educativaEducar para a Espera Cristã: É na esperança que fomos salvos! (Rm 8,24)Brasileiros que ainda não “se inclinam para escrever” e “não se levantam para ler”A educação na fé e para fé alimenta a esperança e a possibilidade de religação da humanidade ao sentido próprio de sua existência. No Congresso de Educação Católica, realizado em Roma: "Educar hoje e amanhã: Uma paixão que se renova", o Papa Francisco fez o discurso de encerramento que muito nos ajuda a refletir a Educação na fé, pela fé, para a fé.

"Não se pode falar de educação católica sem falar de humanidade, porque a identidade católica é precisamente Deus que se fez homem. Ir em frente nas atitudes, nos valores humanos, plenos, abre a porta à semente cristã. Depois vem a fé. Educar cristianamente não é só fazer uma catequese: esta é uma parte. Não é só fazer proselitismo — nunca façais proselitismo nas escolas, nunca! — Educar cristianamente é levar por diante os jovens, as crianças nos valores humanos em todas as realidades, e uma destas realidades é a transcendência.
Hoje há a tendência a um neopositivismo, ou seja, a educar para as coisas imanentes, para o valor das coisas imanentes, e isto tanto nos países de tradição cristã como nos países de tradição pagã. O que não significa introduzir os jovens, as crianças na realidade total: falta a transcendência. Para mim, a maior crise da educação, na perspectiva cristã, é este fechamento à transcendência. Somos fechados à transcendência. É preciso preparar os corações para que o Senhor se manifeste, mas na totalidade; ou seja, na totalidade da humanidade, que tem também esta dimensão de transcendência. Educar humanamente, mas com horizontes abertos. Nenhum tipo de fechamento beneficia a educação.

Que Maria, Mãe de Jesus e nossa, nos envolva com o seu manto e nos conceda a graça de construir um mundo novo através da Educação, e que possamos educar com a mesma fé, intensidade, verdade e valores, assim como Jesus foi por Ela educado.

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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