Por Vinícius Paula Figueira Em Igreja

Espírito Santo: dos Amores ao Terror

O Brasil, nos últimos meses, assistiu através das telas da TV, dos jornais e da redes sociais a campanha publicitária 'Amores' cujo objetivo era tornar conhecidas as belezas do território capixaba emolduradas entre as tantas atrações pela 'Pedra Azul, Dunas, praias, matas, etc.'. Não custa lembrar que a mídia nacional também noticiou as proezas do ajuste fiscal que levou o governo a fechar o caixa de 2016, em tempos de crise, com mais de 40 milhões de reais de superávit. De repente, o cenário mudou e tudo se transformou em horror. Instaurou-se a sensação de caos. Dizia, com razão, Carl Jung “onde acaba o amor tem início o poder, a violência e o terror”.

greve

O céu risonho e rosado do capixaba ficou avermelhado nesses dias pelo sangue derramado por mais de 140 cadáveres estendidos nas avenidas do solo Espírito Santense. A luz parece ter se ocultado no horizonte, sem expectativa de o sol da paz lumiar nossa gente. Faltou diálogo, venceu a prepotência e a bestialidade. Na queda de braços entre governo e policiais, o povo foi obrigado a transformar suas casas em prisões devido à absoluta insegurança e impotência que salpicou a dura rotina de todos. A que ponto chegamos!

Por que os capixabas passarem por isso? Por que tantas pessoas foram eliminadas? Quem pagará a conta? A resposta, parece-me, simples e bem objetiva: incompetência dialógica? Pelas ruas escutávamos escancaradamente a expressão 'por que eles não cedem?'. Porém, não sabíamos se eram os policiais (ou suas esposas?!) ou o governo, os intransigentes. Um não queria ceder, porque abriria margem para outras classes aderirem ao movimento e o governo (em nome do ajuste fiscal) não teria recursos para cobrir as demandas de todas as categorias de trabalhadores; outros diziam estarem no direito de reivindicar e desejava aumento de que ele não abriria mão. Entretanto, a segurança é um item essencial. E aí? Efetivamente, os dois lados se mostraram incapazes de equacionar o problema. Graças ao lengalenga esquifes estavam sendo amontoados pelas ruas e famílias e lojas estavam sendo vítimas dos energúmenos. E os políticos nessa história deprimente? Senza commento. Que vergonha!

Um questionamento se impõe: 'Se precisamos de polícia para sermos honestos então somos uma sociedade de bandidos soltos' (Sérgio Oliveira). A profunda crise da segurança que esgarçou o Estado do Espírito Santo nos últimos dias fez emergir das profundezas do inferno saqueadores, oportunistas, bandidos e pilantras de todos os naipes. Algo inimaginável aconteceu. Também houve espaço para aqueles/as pessoas que se sentem traídos pelos poderes públicos que batem o pé no poleiro do poder e cantam as melodias dos privilégios obrigando o povo a se contentar com as migalhas que caem da mesa. Até quando vamos aturar tantas injustiças e tanta violência!?

No entanto, não podemos perder a esperança e a capacidade de lutar. Quero continuar acreditando no ideal de fraternidade rezado e proclamado pelo salmista: “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união” (cf. Sl 133,1). Que bom seria se nessa terra todos vivêssemos como promotores da paz! Não à barbárie! Não a incivilidade! Não à estupidez! Resta-nos enquanto povo capixaba (“terra boa”), apesar dos revezes e da vergonha, continuar trabalhando e confiando na Providência divina e no bom senso das nossas autoridades, para que os “Amores” se multipliquem e os “terrores” se dissipem.

assinatura vinicius colunista

Escrito por
Vinicius Figueira - Colunista (Arquivo Pessoal)
Vinícius Paula Figueira

Crítico, apaixonado por escrever, a ponto de escolher e se graduar em comunicação social pela Rede Kroton. Moro em Iconha, Espírito Santo, onde atuo como Coordenador Paroquial da Comunicação (PASCOM), e trabalho com Publicidade e Propaganda.

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