Foto: Centro de Acolhida para Refugiados

Religiosa se dedica a ajudar refugiadas
A freira congolesa Angélique Namaika vai receber o Prêmio Nansen de Refugiados – uma espécie de prêmio Nobel do mundo humanitário.
O anúncio foi feito no dia 17 de setembro pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU). No dia 2 de outubro, a religiosa será recebida em audiência, no Vaticano, pelo Papa Francisco.
Irmã Angélique Namaika ajuda mulheres e meninas que foram forçadas a deixar suas casas por grupos armados, incluindo o Exército de Resistência do Senhor (Lord’s Residence Army, LRA).
Estima-se que aproximadamente 350 mil pessoas tenham sido forçadas a deixas suas casas na região de Dungu – e 70% delas devido a ameaça de ataques. A brutalidade do LRA é bastante conhecida, e depoimentos de mulheres mostram a terrível natureza de seu abuso.
A abordagem individual adotada pela Irmã Angélique no seu trabalho ajuda as vítimas a se recuperarem de seus traumas. Além do abuso que sofreram, essas mulheres e crianças vulneráveis são frequentemente condenadas a exclusão por suas próprias famílias e comunidades.
Refugiadas no Brasil
Algumas dessas mulheres congolesas encontraram refúgio no Brasil. As Caritas Arquidiocesanas de São Paulo e do Rio de Janeiro trabalham em parceria com o ANCUR.
O Brasil possui cerca de 4.400 refugiados de aproximadamente 70 nacionalidades. Os congoleses representam o 3º maior grupo (cerca de 13%), antecedidos pelos angolanos e colombianos.
Conheça um pouco da história missionária de Irmã Angélique
Aos nove anos de idade, Angélique decidiu dedicar sua vida aos necessitados ao ver uma religiosa trabalhando em uma aldeia. Ingressou na Congregação das Irmãs Agostinas de Dungu e Doruma em 1992 .
Irmã Angélica, 46, é uma refugiada dentro do próprio país. Foi obrigada a deixar sua casa em virtude de ataques do grupo armado na região e viveu em abrigos com outros deslocados em 2009. A religiosa é cofundadora do Centro para Reintegração e Desenvolvimento em Dungu, cidade mais afetada pelo LRA. Só neste ano, foram 54 ataques do grupo armado na região, com 17 mortes e 53 sequestros.
Ali, a religiosa trabalha com 150 mulheres que estão em processo de recuperação de traumas. As mulheres têm cursos de alfabetização, costura e culinária.
Nos últimos 30 anos, o Exército de Resistência do Senhor (LRRA) forçou o deslocamento de 2,5 milhões de pessoas, internamente e além das fronteiras do Congo, Uganda, Sudão do Sul e República Centro-Africana, indica um relatório divulgado na última terça-feira (17), pelo ACNUR.
Sobre o Prêmio Nansen
Poucos reconhecimentos de honra humanitária possuem o rico legado do Prêmio Nansen do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, o ACNUR.
Fundado em 1954, reconhece os valores e realizações de Fridtjof Nansen, o conhecido explorador polar, cientista, Prêmio Nobel da Paz e diplomata que serviu como o primeiro Alto Comissário para Refugiados da Liga das Nações.
O prêmio reconhece o excelente trabalho realizado por indivíduos memoráveis, organizações ou grupos cujos corajosos esforços ajudaram diretamente algumas das pessoas mais vulneráveis do planeta, as deslocadas à força.
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