Por Redação A12 Em Igreja

Membro de comissão vaticana para proteção de menores analisa "Spotlight"

Foto de: reprodução

Padre-Hans-Zollnner

Padre Hans Zollner destacou a importância do filme e
contou como a Igreja tem enfrentado essas questões. 

A atuação da Igreja católica nas questões relativas aos casos de abusos contra menores, cometidos por padres no Estados Unidos, está entre as realidades que mais repercutiram na mídia desde a cerimônia do Oscar, no último domingo (28). Na ocasião o filme "Spotlight - Segredos Revelados" levou a estatueta de Melhor Filme do ano de 2015. A obra cinematográfica é dedicada aos jornalistas do Boston Globe, que há 14 anos revelaram numerosos casos de abusos contra menores pelo clero de Boston. 

Ao receber a premiação, o produtor do filme Michael Sugar deixou uma mensagem ao Papa Francisco: “É hora de proteger as crianças e restaurar a fé”.

Para o padre Hans Zollner, que atua diretamente nessa causa como membro da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores e Presidente do Centro para a Proteção de Menores da Pontifícia Universidade Gregoriana, a palavra do produtor demonstrou o desejo manifestado por toda a produção do filme; de pedir uma ação mais incisiva da Igreja. Por outro lado, padre Zollner lembrou que a Igreja desde 2002 vem mostrando um posicionamento firme nessas questões. 

“Se vê claramente que, quer o produtor como todos aqueles que estiveram envolvidos na produção do filme, trabalharam para transmitir esta mensagem e é uma mensagem ligada com aquilo que o filme conta, um chamado para que a Igreja faça aquilo que desde 2002 - contemporaneamente a estes acontecimentos que o filme conta - começou a fazer. Desde o final dos anos 90, o Cardeal Ratzinger, como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, havia percebido que a Igreja não podia mais, nem tolerar estes abusos e nem o acobertamento deles por parte dos bispos. E assim, Joseph Ratzinger, depois como Papa Bento, deu grandes passos para tornar a Igreja uma instituição transparente e comprometida na luta contra os abusos. Depois, o Papa Francisco seguiu na linha do Papa Bento, fortalecendo a legislação da Igreja, instituindo a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores. O Papa já colocou em prática algumas medidas e aguardamos ulteriores progressos nesta mesma linha, que darão certamente a mensagem clara de que a Igreja Católica na sua liderança se deu conta da gravidade da situação e quer e deve continuar a luta pela justiça e para que não existam mais vítimas de abuso”, disse o religioso em entrevista especial à Rádio Vaticano. 

Padre Zollner destacou ainda as inúmeras ações da Igreja e dioceses em todo o mundo, desde a criação e reformulação de leis mais severas ao acompanhamento das conferências episcopais e suas linhas de ação nessas situações, encontro com bispos de todo o mundo e a recente criação do Centro para a Proteção de Menores, em Roma. 

Outro ponto apresentado pelo religioso foi a acolhida da própria Igreja e daqueles que estão imbuídos dessa missão sobre o filme. De acordo com padre Zollner, uma das vozes importantes a indicar o filme foi o arcebispo de Malta dom Charles Scicluna, que por dez anos foi promotor de Justiça e pessoa empenhada na investigação dos crimes cometidos por padres. 

"Existe portanto um grande apreço pelo filme e obviamente também um apreço pela mensagem e o modo como é transmitida a mensagem. Estes bispos recomendam aos seus irmãos para assistirem este filme, portanto é um forte convite para refletir e a levar a sério a mensagem central, isto é, que a Igreja católica pode e deve ser transparente, justa e comprometida na luta contra os abusos e que deve comprometer-se para que não se verifiquem mais" casos como estes, acrescentou padre Zollner.

Um detalhe importante e que manifesta a proximidade da Igreja e do Papa nesses casos é que a Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores é presidida pelo cardeal Sean Patrick O’Malley, arcebispo de Boston. Outro avanço ocorreu em março de 2014, quando a Santa Sé publicou um estatuto para essa comissão com normas claras para a intervenção da Igreja e a sua responsabilidade na proteção dos menores e adultos vulneráveis. 

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