Por Tatiana Bettoni Em Igreja

Migrantes e refugiados encontram apoio na Arquidiocese de Florianópolis

Foto de: Pastoral do Migrante

Casal de migrantes

Casal de migrantes recebe atendimento da Pastoral do Migrante de Florianópolis (SC).

 

O Estado de Santa Catarina, em especial a capital Florianópolis, registrou em 2014 aumento de refugiados da Síria, haitianos e muitos migrantes dos países latino-americanos, em busca de trabalho e acesso aos serviços públicos básicos.

Para atender melhor esta população, a Arquidiocese de Florianópolis criou há quase um ano um Grupo de Apoio aos Migrantes e Refugiados que congrega mais de 15 instituições, atendendo demandas específicas, como o ensino da língua portuguesa para estrangeiros.

Fernando Anísio Batista, secretário executivo da Ação Social Arquidiocesana e cientista político, explicou ao portal A12 a real condição dos migrantes, a atuação do Grupo de Apoio e a falta de políticas públicas que ofereçam “resultado satisfatório” na região. Confira: 

A12 - Como é medido o crescimento da população migrante em Florianópolis? Existem dados oficiais?

Fernando Anísio Batista - Não existem cadastros oficiais da chegada destes migrantes. O que existe e é muito perceptível é o aumento da procura espontânea pelas instituições que atendem essas pessoas, bem como aos órgãos municipais. O significativo aumento da presença dos imigrantes é reflexo de um novo ciclo migratório presente no mundo e que tem o Brasil como um dos seus destinos, considerando a relevante posição econômica do país (quinta maior economia mundial).

A12 - Por que esta região do Brasil tem sido tão amplamente escolhida pelos migrantes? De quais origens?

Foto de: Reprodução/ UFFS

Haitianos em Universidade de SC

A Universidade Federal da Fronteira do Sul oferece ensino
superior a 39 imigrantes haitianos por meio do programa
ProHaiti. 

Fernando Anísio Batista - A região sul é um dos destinos escolhidos pelos migrantes de diversos países, principalmente por suas características econômicas. Em especial, Santa Catarina ocupa relevantes posições no cenário industrial brasileiro, com grande potencial no setor têxtil, metal-mecânica, pecuária e extrativista (minérios). Uma das grandes buscas dos migrantes é por oportunidades de empregos e o Estado de Santa Catarina tem baixos índices de desempregos e grande procura por mão de obra primária, principalmente na construção civil e nos frigoríficos, onde estes migrantes têm se colocado profissionalmente.

Temos a presença de muitos sul-americanos: argentinos, uruguaios, bolivianos. Recentemente, aumentou significativamente a presença de haitianos e de ganeses, bem como de sírios, mas em quantidade menor que os de outras nacionalidades.

A12 - Como funciona o Grupo de Apoio aos Migrantes e Refugiados? Em que segmento o Grupo mais atua (atendimento emergencial dos atendidos ou na cobrança de responsabilidades dos órgãos públicos)?

Fernando Anísio Batista - O grupo de apoio surgiu de forma espontânea a partir da necessidade de uma atuação mais organizada na assistência aos imigrantes e refugiados presentes em Florianópolis. Inicialmente foi realizado uma pequena reunião de articulação destas entidades que foi se ampliando conforme foi se tornando mais conhecido. Atualmente, o grupo de apoio realiza reuniões semanais, mas organizou grupos de trabalho que se encontram com mais regularidade para atender assuntos específicos.

Como o atendimento emergencial é realizado diretamente pelas entidades, o grupo de apoio atua mais como um espaço de articulação social política, com o objetivo de fortalecer o trabalho de cada instituição que o congrega, bem como de ampliar a rede de atendimento (público e privada) aos migrantes e refugiados.

A12 - Os migrantes e refugiados têm conseguido se instalar e permanecer na cidade? Onde e como?

Fernando Anísio Batista - Quando chegam em Florianópolis e em outras cidades do Estado, geralmente já têm contato com alguém que dá o apoio nos primeiros dias. Buscam emprego em empresas que têm se colocado à disposição para atendê-los e aos poucos vão legalizando sua situação. Existem muitas empresas pré-dispostas a empregar migrantes, principalmente os haitianos.

Os locais de moradia são os mais diversos, no geral, são pequenos imóveis divididos para vários imigrantes. Hoje em Florianópolis e em Santa Catarina não existe nenhum centro de atendimento aos imigrantes que possa suprir de forma momentânea a necessidade de moradia. 

A12 - Quais são as ações ou políticas que melhor apresentam resultados?

Fernando Anísio Batista - Existem poucas políticas voltadas para o atendimento direto aos imigrantes. Geralmente as políticas de atendimento a população brasileira são as mesmas que beneficiam os imigrantes. Neste momento, não é possível mencionar alguma que dê um resultado satisfatório, por não existir alguma com um atendimento específico a essa realidade. O que existe em Florianópolis e em outras partes do país é um esforço extraordinário de pessoas e entidades que buscam de forma solidária atender essa nova realidade, buscando olhá-los como uma situação excepcional a partir de suas necessidades que são as mais variadas possíveis: casa, trabalho, documentação, acolhimento, dialeto etc.

 

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