Por Pe. Leo Pessini Em Igreja

Os Camilianos e os Cuidados Paliativos

Os camilianos são uma Ordem Religiosa, que datam do século XVI, fundada por São Camilo de Léllis (1550-1614) época do renascimento italiano. Camilo de Lellis dedicou-se integralmente ao cuidado dos doentes. Ao longo de uma história de 4 séculos de serviço   a humanidade sofrida, atuando no mundo da saúde, foram chamados carinhosamente pelo povo como sendo os “padres da boa morte”.

cuidados paliativos

Na verdade, naqueles tempos cuidar de alguém doente, era praticamente cuidar de sua despedida da vida. A humanidade não sabia como prevenir as doenças, e a ciência médica ainda era muito rudimentar em termos de conhecimentos científicos, de como evitar infecções hospitalares, como amenizar a dor, principalmente na era pré-anestésica.

Não obstante o progresso espetacular na área da medicina, as pessoas continuam a morrer. A morte continua como sendo um grande desafio para todos nós. Claro, hoje vivemos muito mais e com possibilidades de boa qualidade de vida. Cuidar dos que estão na fase final da vida faz parte da tradição histórica do carisma camiliano. É por isto que em muitos países onde estamos presente no mundo, hoje são 42, nos cinco continentes, temos organizadas unidades de cuidados paliativos, ou hospices. Seja na Espanha, em Madri (Três Cantos), seja no Vietnam, em Ho Chi Mim, no Brasil em São Paulo, ou no Equador em Quito, para lembrar alguns das nossas atividades nesta área.

Por ocasião da celebração da Jornada Mundial de Cuidados Paliativos, em 10 de outubro de 2015, o Centro São Camilo de Madri, Espanha, lançou um manifesto à sociedade espanhola que vale a pena transcreve-lo:

“ Trata-se de uma jornada organizada em nível mundial por um comitê criado pela Aliança Mundial dos Cuidados Paliativos, Rede de Centro, Organizações regionais e nacionais de cuidados paliativos que incentivem e apoiam seu desenvolvimento em todas as partes do mundo.

Esta data é uma oportunidade privilegiada para enfatizar a importância de conjugar o verto cuidar especialmente quando nos referimos a assistência {as pessoas com enfermidades avançadas, com particular atenção, não somente {a necessidade de alívio da dor, mas também em de mitigar o sofrimento, bem como para dar voz aos pacientes potencialmente silenciados, como diz o lema deste ano de 2015. “Vidas silenciadas, pacientes silenciados”.

Hoje, somente uma pessoa em cada 10 no mundo que necessitam de cuidados paliativas par aliviar a dor, os sintomas, diminuir o sofrimento e acompanhar dignamente a pessoas com enfermidades avançadas, recebe esta atenção assistencial de cuidados. Por outro lado, se somam as necessidades de atenção e apoio às famílias dos enfermos, bem como a imprescindível capacitação dos profissionais da saúde para atuarem neste âmbito específico de cuidados. Os dados estatísticos revelam que 80% das necessidades mundiais de cuidados paliativos, correspondem basicamente aos países pobres.

 

A dor e o sofrimento evitável deve ser aliviado. É um imperativo ético.

Desde o Centro São Camilo, onde contamos com uma Unidade de Cuidados Paliativos para 30 pessoas. Esta unidade qualificada com arte e estilo para fazer do cuidado precisamente uma obra de arte sinfônica, nos unimos ao profundo desejo de uma maior difusão da cultura paliativa no mundo e principalmente nos lugares mais carentes e pobres, bem como um maior conhecimento sobre cuidados paliativos e o verbo “paliar”.

A dor e o sofrimento evitável deve ser aliviado. É um imperativo ético. Esta ação se constitui num grande desafio mundial para humanizar a cultura e assistência à saúde. Com muita alegria nos unidos a todos que colocaram o cora; ao nas mãos, como diria São Camilo, trabalhando na docência, planejamento, gestão, assistência, pesquisa e tudo quanto tenha a ver com a promoção dos cuidados paliativos ”.

Enfim, cuidados paliativos, promovem qualidade de cuidados, respeitam a dignidade da pessoa humana num momento crítico de sua existência, quando tem que enfrentar uma doença crônico-degenerativa, incurável ou terminal. Não podemos esquecer de que como fomos cuidados para nascer, também necessitamos de cuidados ao morrer, isto é, na partida desta para outra vida!

:: Leia também: A necessidade e a importância dos cuidados paliativos

assinatura padre leo pessini

Escrito por
Pe. Léo Pessini Currículo - Aquivo Pessoal
Pe. Leo Pessini

Professor, Pós doutorado em Bioética no Instituto de Bioética James Drane, da Universidade de Edinboro, Pensilvânia, USA, 2013-2014. Conferencista internacional com inúmeras obras publicadas no Brasil e no exterior. É religioso camiliano e atual Superior Geral dos Camilianos.

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