A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançou no mês de novembro uma coletânea de partituras com os cantos das Campanhas da Fraternidade (CF). O Assessor para a música litúrgica da CNBB, padre José Carlos Sala, em entrevista ao A12.com, falou sobre o lançamento da coletânea, música litúrgica e formação musical.
Confira a entrevista:
A12 - O que a CNBB pretende oferecer com o lançamento da coletânea de partituras dos cantos da CF?
"Objetivo é valorizar e registrar a vasta produção de música sacra da Igreja do Brasil no período pós-conciliar"
Pe. José Carlos - A Campanha da Fraternidade completa, neste ano de 2014, 50 anos de história. O canto e a música sempre acompanharam o processo de evangelização da Igreja no Brasil durante o período da Campanha da Fraternidade. Encontros e celebrações, fóruns de debates e outros momentos de estudo e reflexão são embalados por melodias sintonizadas como o tema e o lema de cada ano, ajudando a memorizar e transmitir a mensagem. O objetivo do lançamento da coletânea em partituras de todos os cantos das Campanhas da Fraternidade é o de valorizar e registrar a vasta produção de música sacra da Igreja do Brasil no período pós-conciliar, e manter viva a história da Campanha.
A12 - Qual a importância dos músicos das igrejas pelo Brasil tocarem e cantarem as músicas da CF?
Pe. José Carlos - Esta coletânea não é lançada para ser um livro de cantos das comunidades, mas um subsídio de pesquisa para os agentes de música. Muitas músicas das Campanhas da Fraternidade são temáticas e, por isso, nem sempre se adaptam às celebrações litúrgicas. As músicas para as celebrações levam em conta os textos litúrgicos e bíblicos de cada dia e o a espiritualidade própria de cada tempo litúrgico. Que os músicos litúrgicos tenham em mãos este material como objeto de pesquisa e, com critérios litúrgicos e bíblicos, escolher cantos para as celebrações.
A12 - O que é música litúrgica? E como podemos identificá-las?
"A música litúrgica é como algo que brota das profundezas do espírito de quem reza e louva a Deus"
Pe. José Carlos - Entende-se por música litúrgica aquela que, criada para o culto divino, possui as qualidades de santidade e perfeição das formas (Instrução Musicam Sacram 4). Ou seja, uma música que nos ajuda a rezar, a mergulhar no mistério celebrado e que tenha dignidade e beleza. O Concílio Vat II resgatou a compreensão original de música litúrgica ao afirmar que é parte necessária ou integrante da liturgia solene, e acrescentou que será tanto mais sacra, quanto mais intimamente estiver ligada à ação litúrgica (SC 112). Assim compreendida, a música litúrgica não pode ser tomada apenas como adorno ou acessório facultativo da celebração cristã da fé. Ela não é coisa que se acrescenta à oração, como algo extrínseco, mas muito mais, como algo que brota das profundezas do espírito de quem reza e louva a Deus. Ainda, que esteja intimamente ligada à ação litúrgica a ser realizada, quer exprimindo mais suavemente a oração, quer favorecendo a unanimidade, quer, enfim, dando maior solenidade aos ritos sagrados; que leve em conta os tempos do ano litúrgico; que esteja em sintonia com os textos bíblicos de cada celebração, especialmente o evangelho. Portanto, antes de escolher os cantos da celebração, os agentes de música litúrgica necessitam buscar conhecer a liturgia, porque a música nasce de dentro do coração da liturgia, manifestada pelos ritos, gestos e palavras.
A12 - Qual importância de oferecer formação litúrgica aos músicos que atuam nas igrejas?

Pe. José Carlos - É imprescindível a formação para os agentes de música, porque a música feita para a liturgia tem suas características próprias e não podemos pensar que toda a música sacra é adequada para a celebração. Os documentos da Igreja insistem muito nesta formação, especialmente a formação litúrgica. “Além da formação musical, dar-se-á aos membros de coro uma formação litúrgica e espiritual adaptadas, de modo que, ao desempenhar perfeitamente a sua função litúrgica, não se limitem a dar maior beleza à ação sagrada e um excelente exemplo aos fiéis, mas adquiram também eles próprios um verdadeiro fruto espiritual (Instrução Musicam Sacram 24). As paróquias e dioceses, através das Comissões de Música busquem oferecer cursos de formação aos agentes de música para que, em sintonia com a equipe de liturgia, desempenhem com eficácia e dignidade este serviço à comunidade.
A12 - Qual o papel da música nas celebrações litúrgicas?
Pe. José Carlos - A música tem o papel de levar os corações ao encontro com o Deus da vida que caminha conosco; congregar a comunidade que celebra e fazê-la sentir-se um corpo todo eclesial; revelar o mistério pascal, paixão, morte e ressurreição de Jesus; dar força ao rito, ora acompanhando-o, ora sendo o próprio rito, nos mais diversos momentos celebrativos; realçar os elementos centrais dos textos bíblicos da celebração do dia; ajudar a comunidade a aprofundar a dimensão orante e trazer beleza à celebração.
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