Por Redação A12 Em Igreja

Ter a esperança de Jó: o relato de um bispo que trabalha na Síria

As coisas ainda estão tranquilas em Latakia. Aqui, na diocese da comunidade maronita no noroeste da Síria, a guerra ainda não é rotina. Foi por isso que a maioria dos cristãos fugiu para cá – para os braços abertos do Bispo Antoine Chbeir.

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A igreja ainda está de pé. Mais do que isso o bispo Dom Antoine não tem.

Faz meio ano que ele é bispo de Latakia. Nas fronteiras da sua nova diocese a guerra vem se alastrando. A cada dia chegam refugiados, tanto cristãos como muçulmanos. Com mais de cinquenta mil fiéis, esta é a maior diocese maronita. Em Damasco restam apenas três mil membros, e em Alepo mil membros, desta que é a maior Igreja do Oriente unida a Roma. Apesar de tudo, o bispo Antoine mantém a esperança. Ele tinha feito a sua dissertação de teologia sobre o livro de Jó, o homem do sofrimento, que perde tudo e que, por sua humildade e esperança em Deus, recebe tudo. “O Senhor deu, o Senhor tirou; seja bendito o nome do Senhor”, diz Jó no final. Sobre o sentido do sofrimento, o bispo Antoine poderia fazer conferências. Ele transmite esse sentido de modo bem vivenciado. Reza com os fiéis, visita-os até nas zonas de guerra nas divisas da diocese, em Homs e Hama, onde os islâmicos atiravam em cada cruz que eles viam. Em muitas igrejas o essencial à liturgia está faltando: cálices, a cruz, vestes litúrgicas...

 

Convivendo com os refugiados, ele ainda vê esperança, como Jó.

“Eu tinha treze anos quando a guerra no Líbano começou. Desde então conheço as incertezas e a insegurança da vida cotidiana: se existe algo para comer ou se os franco-atiradores estão à espreita nos telhados, se um carro-bomba explode ou um governo cai.” De sua aldeia relativamente segura no Líbano ele se transferiu para Tartus. Convivendo com os refugiados, ele ainda vê esperança, como Jó. “Deus faz da catástrofe econômica e existencial um tesouro espiritual.” Ele afirma que a catedral da diocese está repleta mesmo em dias de semana, e aos domingos mal se encontra ainda algum lugar. “Antes e depois da Santa Missa o povo reza, geralmente o rosário.” Eles rezam pela paz e por ajuda para poderem permanecer em sua própria pátria.

A primeira preocupação de Dom Antoine está nos sacerdotes e nos refugiados. Em algumas paróquias os padres “não têm nem dinheiro nem um teto sobre a cabeça. Muitas vezes também faltam a cama e o banheiro. “Os refugiados precisam de pão e de roupas. “Barrigas vazias não têm ouvidos”, diz ele, citando um ditado. O salário dos sacerdotes, 640 reais por mês, não é suficiente para a vida e a manutenção das paróquias. Mesmo essa quantia o bispo só consegue dar-lhes raramente. Seis dos 32 sacerdotes são idosos ou doentes. As receitas da diocese cobrem dois por cento dos custos. Nas suas paróquias, as pessoas têm que se manter com oito reais por dia. Elas não têm nada que possam doar. É uma situação sem saída, como no livro de Jó. Dom Antoine confia na misericórdia de Deus, na Eucaristia. O bispo pediu auxílio à Ajuda a Igreja que Sofre (ACN) e se ofereceu para realizar conferências sobre o Novo ou o Antigo Testamento. Mais que isso ele não pode oferecer. Mas não é necessária uma conferência para saber o que Deus quer e do que precisam o Bispo de braços abertos e os seus padres e refugiados: misericórdia ativa.

A Fundação Pontifícia 'Ajuda a Igreja que sofre' recebe doações para essas regiões em que os cristãos são perseguidos, mas também em outras onde a vida humana está ameaçada pela guerra e outras realidades. 

Saiba como ajudar concretamente essas pessoas por meio desta Fundação Pontifícia. Clique aqui. 

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