Por Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R. Em Liturgia Atualizada em 09 MAR 2020 - 11H21

Crescendo na Verdade

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Uma Igreja que aprende

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O sábio não é aquele que muito sabe, mas aquele que sabe aprender sempre. O mesmo aplicamos à Igreja “que discípula e missionária, tem necessidade de crescer na interpretação da Palavra revelada e na compreensão da verdade”, escreveu o Papa Francisco na Evangelii Gaudium 40.

A Igreja é como uma árvore, dizia Pe. Vitor Coelho. O tronco cresce se tiver os galhos novos. Ela não é de bronze, pois esse enferruja. Aprendemos dos pensadores que amam a verdade e ajudam “a amadurecer o juízo da Igreja” (DV 12). Os teólogos têm o ministério de ajudar a refletir.

As ciências ajudam no cumprimento da missão do Magistério, disse S. João Paulo II. “As diversas linhas de pensamento, se se deixam harmonizar pelo Espírito no respeito e no amor, podem fazer crescer a Igreja enquanto ajudam a explicitar melhor o tesouro riquíssimo da Palavra” (EG 40). É a capacidade de abertura. As mudanças culturais não mudam a fé, mas mudam o modo de compreender melhor a fé aprofundando seu conhecimento.

João XXIII, nosso querido santo, diz ao abrir o Concílio Vaticano  II (11.10.1962): “Uma coisa é a substância... outra é a formulação que a reveste”. A linguagem deve sempre expressar com exatidão a fé.

A linguagem mal usada pode negar ou prejudicar a verdade. A fé é a mesma, mas crescemos na sua compreensão, guiados pelo Espírito. Papa Francisco em sua humildade mostra que a sabedoria é estar aberto para aprender. Assim pode ensinar.

Crescendo na fé

Não se pode confundir fé com determinada cultura. As culturas não podem dominar a fé de modo que ela não produza o bem. A preocupação é transmitir a substância da fé, não somente um tipo de linguagem. É preciso ser fiel à substância do Evangelho. João Paulo II ensinou “A expressão da verdade pode ser multiforme. E a renovação das formas de expressão torna-se necessária para transmitir ao homem de hoje a mensagem evangélica em seu significado imutável” (Ut Unum sint, 19).

O crescimento na fé estimula sempre a uma melhor explicação. O que nos leva a crescer na fé “é compreender seu aspecto de cruz e certa obscuridade que não tira firmeza a sua adesão”. Este aspecto de exigência é contrário ao pensamento da sociedade atual que prioriza outros valores que são estranhos ao Evangelho.

Essa opção pelo seguimento de Jesus tomando a cruz (não da dor) é causa de crescimento na fé e no amor. A adesão não é somente a um corpo de doutrina, mas é uma atitude de vida. Há modos de compreender a vida cristã que foram bons em um tempo, mas evoluíram. O que era bom ontem pode não ser hoje.

Podemos citar, por exemplo, as penitências físicas prejudiciais à saúde. S. Tomás diz que os preceitos dados por Cristo são pouquíssimos. Há coisa que foram criadas em um tempo e podem ou devem mudar.

Direito de crescer

Nosso povo tem uma carência muito grande de formação religiosa. Graças a Deus a catequese e outros meios ajudam. Ninguém cresce aos saltos. É lento.

Temos muitos meios de formação que ajudam nesse crescimento. Falta interesse em se formar e pouco interesse de fazer das comunidades escolas permanentes de formação. As celebrações litúrgicas dos sacramentos, as homilias, os grupos de reflexão e de oração são momentos importantes.

Os bispos dos primeiros tempos eram os grandes catequistas das comunidades. O mesmo devíamos dizer dos padres atuais. Precisamos nos formar e ter meios para formar o povo. Com a formação fortalecemos a fé. A fé esclarecida é um instrumento de renovação da sociedade e fortalecimento dos fiéis que são os formadores de opinião.

 

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