Por Marcus Eduardo de Oliveira - Redação A12.com Em Mundo

Absurdo expansionismo econômico


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Além de ignorar que a natureza é o limite da economia, o sistema econômico dominante, em sua estúpida mania de almejar expansionismo econômico como paradigma mor de prosperidade e sucesso, continua cada vez mais não se dando conta que os limites do planeta Terra impõem à atividade econômica um severo freio.

Freio esse desrespeitado face a falsa urgência, ditada pelo mercado, de fazer com que as economias modernas alcancem crescimento econômico infinito, condição irreal e fantasiosa que ronda o imaginário de alguns economistas desconectados da realidade.

É um absurdo permitir e estimular o expansionismo da atividade de produção sem limites nos mais diversos setores de atuação da economia, sabendo-se que a Terra é limitada quanto ao fornecimento de matéria e energia.

Decorre disso que a ciência econômica se fecha, pois, numa visão míope acerca da problemática ambiental, como se o funcionamento da própria economia ocorresse no “vazio”, sem interação alguma com os elementos da natureza, vale dizer, sem a “dependência” dos serviços ecossistêmicos.

Ademais, ignora-se, por completo, que o primeiro e o mais importante valor da economia é a natureza, provedora maior de recursos que faz com que a própria economia sobreviva.

Por isso, colocando-se numa condição de superioridade a tudo, principalmente em relação às leis da natureza, a atividade econômica parte da ideia central de dominação e transformação do sistema ecológico aos desejos do mercado de consumo, o que agrava sintomaticamente a saúde do planeta, cansando sobremaneira a Terra.

O que a economia tem feito com a natureza? Essa é uma das principais perguntas que a escola neoclássica, fascinada pela teoria macroeconômica voltada ao crescimento, não responde com clareza, porque na verdade oculta a existência conflitual entre os sistemas econômico e ecológico.

Por isso sempre cabe enaltecer os pensadores que colocam o dedo nessa ferida, cada vez que esse assunto (expansão da economia versus preservação do meio ambiente) vem à tona.

Nesse pormenor, dono de uma visão bem abrangente dessa conflituosa relação entre “produzir economicamente” e “preservar a natureza”, Pierre Rabhi, pensador francês de origem argelina, destaca que “há muito tempo a economia não passa de uma pseudoeconomia que, em vez de gerir e repartir os recursos comuns da humanidade manifestando uma visão a longo prazo, se contenta, em sua busca de crescimento ilimitado, em elevar a predação à categoria de ciência”.

Observa Rabhi que “o laço filial e visceral com a natureza foi rompido”, tornando essa apenas “uma jazida de recursos a ser explorada – e a ser exaurida”.

O que a economia faz, em nome de um falso progresso, com base na expectativa não menos irreal de que o crescimento físico (leia-se mais e mais mercadorias produzidas) das economias assegura boa vida a todos, é, pois, subjugar completamente a natureza aos ditames mercadológicos, colocando-se, portanto, “acima” dessa, o que leva a atividade econômica a desfigurar o semblante da natureza para atender ao processo produtivo, obedecendo assim cegamente às ordens do mercado de consumo.

É esse o argumento central que a escola neoclássica não se atreve a oferecer, fazendo o possível para ocultar o conflito entre o modo de produzir economicamente e a necessidade de proteção que requer o meio ambiente.

Não enfrentar essa questão é, ademais, se curvar ao absurdo do expansionismo econômico – leia-se crescimento físico das economias modernas – que tem nos colocado frente à mais séria crise ecológica dos últimos tempos.

Não obstante alguns períodos de crise que estagnaram a economia global, o expansionismo das economias, vestida com as cores do crescimento econômico, avolumando e abarrotando cada vez mais o mundo de coisas materiais, vai aos poucos colocando em primazia e consagrando, à par disso, a cultura da abundância, fazendo com que o excesso do “ter mais” seja superior a necessidade do “ser algo”.

É assim que se “vende” a ideia central de que a própria felicidade pessoal só pode ser conquistada na prática do “sempre ter mais”, adquirindo, consumindo, descartando e voltando a consumir.

Isso tudo está na base da ideologia moderna do progresso (seria isso realmente um progresso?) que consagra o supérfluo e o excedente e que, por força maior, nos aprisiona a um modelo (econômico e monetário) em que o dinheiro dita as regras e determina, com irrefreável força, o que é riqueza, pobreza, miséria, infelicidade e felicidade.

Assim, o dinheiro, com destreza hercúlea, parece ter se tornado a única unidade de medida comum. Quanto a isso, é oportuno trazer outra contribuição de Pierre Rabhi, quando questiona hoje em dia o significado da “economia”.

Em outras palavras, Rabhi coloca que a economia não sabe fazer outra coisa a não ser buscar a melhor forma de fazer o máximo de lucro. Justamente por isso, para expandir sua capacidade produtiva, esbarra no absurdo de buscar a qualquer monta o expansionismo econômico.

Nas elucidativas palavras de Rabhi, “fazendo do planeta uma jazida de recursos que deve ser explorado e transformado em dólares”.

Há absurdo maior que isso?


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