Por Redação A12 Em Música

“O canto e a música nasceram da dimensão do amor”, diz Bento XVI

O papa emérito Bento XVI recebeu dois títulos de Doutorado “honoris Causa” em nome dos reitores da Academia Musical de Cracóvia e da Pontifícia Universidade João Paulo II. Em seu primeiro discurso desde que se tornou emérito, ele fala sobre sua experiência pessoal com a música, a visão litúrgica e a influência de São João Paulo II em sua caminhada de fé e visão musical.

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A música para Bento XVI

O papa emérito indagou: “O que é, enfim, a música? De onde provém e para onde leva?” E respondeu focando três fontes da música: a experiência do amor, a experiência da tristeza e o encontro com o divino. A poesia, o canto e a música nasceram da dimensão do amor, de uma nova dimensão da vida e de um toque amoroso de Deus. E acrescentou: “A qualidade da música depende da pureza e da grandeza do encontro com o divino, com a experiência do amor e da dor. Quanto mais esta experiência for pura e verdadeira, tanto mais pura e grande será a música, que dela nasce e se desenvolve”.

Falando de sua experiência pessoal, Bento XVI afirmou que “no âmbito das culturas e das religiões mais diferentes, encontramos uma grande arquitetura, pinturas e esculturas, mas também uma grande música. Contudo, em nenhum outro âmbito cultural há uma grandeza musical que possa ser comparada com aquela nascida no âmbito da fé”.

Música e Igreja

A música ocidental, explicou Bento XVI, é uma coisa única e incomparável com outras culturas, e apresentou como exemplo, Bach, Händel, Mozart, Beethoven, Bruckner: “A música ocidental supera sobremaneira o âmbito religioso e eclesial. Todavia, ela encontra a sua fonte mais profunda na liturgia e no encontro com Deus. A resposta da grande e pura música ocidental desenvolveu-se no encontro com Deus, que, na liturgia, se torna presente em Jesus Cristo”.

Bento XVI concluiu seu pronunciamento dizendo que “as duas universidades, que lhe conferiram este Doutorado “honoris causa” representam uma contribuição essencial, para que o grande dom da música, que provém da tradição da fé, não se dissipe”.

Papa emérito lembra São João Paulo II

O Papa emérito também expressou seu vivo apreço e reconhecimento pela Condecoração a ele conferida, que reforça sua profunda ligação com a Polônia, pátria do grande santo João Paulo II, do qual foi íntimo colaborador por longos anos e sobre o qual disse:

“Sem ele, o meu caminho espiritual e teológico nem pode ser imaginado. Com o seu exemplo vivo, ele nos ensinou que a alegria da grande música sacra pode caminhar de mãos dadas com a participação comum da sacra liturgia, como também a alegria solene e a simplicidade da humilde celebração da fé”.

Fonte: Rádio Vaticano

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