Por Wallison Rodrigues Em Música

O povo no mistério da Trindade

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“Glória seja ao Pai, glória seja ao Filho, glória ao Espírito Santo, seu amor também. Ele é um só Deus, em pessoas as três, agora e sempre, sempre, amém!”
Quantas vezes na vida já cantamos essas palavras. Que seja em nossas rezas de terço, em nossas novenas, nos ofícios das horas... Afinados ou desafinados; Crianças, adultos ou velhos... Todos celebram, todos dão glórias, com a mesma fé aquilo que Deus é em sua essência.

 

...a solenidade que celebramos nos convida a contemplar com o coração o Deus que se faz próximo de nós, como Ele mesmo fez com Moisés e todo o povo (cf. Dt 4).

Ninguém é convidado a decifrar o mistério do Deus Uno e Trino, por mais que muitos entre nós tenhamos inteligências acuradas. Diante de tal mistério somos uma gota d’água do imenso mar diante dos nossos olhos. Um mar que nem mesmo o tempo e o espaço poderão o abraçar. Caríssimos irmãos de caminhada, a solenidade que celebramos nos convida a contemplar com o coração o Deus que se faz próximo de nós, como Ele mesmo fez com Moisés e todo o povo (cf. Dt 4). Felizes somos nós, os filhos de Deus, porque somos chamados participar desta herança (cf. Sl 32), que é o Reino dos Céus, a Vida Eterna (cf. Rm 8). E assim, enquanto ainda não chega essa plenitude da vida, nós podemos aqui na terra, vê-lo e adorá-lo com os olhos da fé (cf. Mt 28), isto é, dar glórias as suas grandezas.

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Desde o princípio do mundo, quando todas as coisas foram feitas, ninguém jamais conheceu um Deus tão próximo do seu povo; um Deus capaz de se inclinar e escutar a aflição do povo (cf. Sl 83); um Deus que desce ao encontro do povo, que fala com o povo... Um Deus que resplandece em sinais e prodígios diante dos olhos do povo (cf. Dt 4,34). O Senhor sempre quis estar próximo e dar a salvação aos seus. Houve uma relação amorosa, que cria comunhão e familiaridade, pois Deus fala ao coração, indica caminhos, conduz o povo à libertação.

Mas, poderíamos nos perguntar: “Onde está o nosso Deus? Onde Ele está?” Existem tantas guerras, tantas violências, tantos maltratos, tantas impiedades... Nesses dias, quando ligamos nossas TVs somos bombardeados por tantas angústias, pelo sofrimento de muitos professores, tantas pessoas sofrendo graves tipos de violência... Onde está o nosso Deus? Ele não é próximo? – E poderiam surgir outros inúmeros questionamentos. Mas, muito mais do que próximo, nosso Deus tem um rosto, um rosto que pode ser contemplado na justiça e na retidão, no amor e na bondade (cf. Sl 32), mesmo no sofrimento. Sendo assim, todo aquele que não é justo, que não é reto, é como a terra seca e árida que não deixa Deus, a planta viçosa, florescer e dar seus frutos.

Muitos não reconhecem este Deus e friamente duvidam (cf. Mt 28,17). Mas, a fé não exclui a dúvida, porém a dúvida constante faz o homem desacreditar. E esse desacreditar não motiva a contemplação e aos olhos de quem observa tudo perde a razão de ser – podemos novamente remeter nosso olhar para a realidade política atual. No entanto, não é porque os olhos não conseguem contemplar que o Contemplável deixa de ser o que é. Deus sempre será aquele que possui todo o poder no Céu e na terra (cf. Mt 28,19) – Sempre será o “ Deus Conosco” até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20).

 

Não precisamos com nossa linguagem finita procurar o indizível, mas, podemos dar glórias, contemplar e adorar tão grande mistério de salvação.

Nós os batizados em nome deste Deus Trindade, Pai-Filho-Espírito Santo, somos convidados a estabelecer uma relação íntima com Ele (cf. Rm 8). A sermos filhos por meio do Filho (cf. Gl 4,4). Como diz S. Agostinho, cada homem é imagem da Trindade, isto é, cada homem é chamado a viver em comunhão. Não precisamos com nossa linguagem finita procurar o indizível, mas, podemos dar glórias, contemplar e adorar tão grande mistério de salvação. Essa é a missão da grande família de Deus! É nesta relação que o homem, enquanto peregrino na terra, sacia sua sede de ver a Deus. Pois, esta dimensão relacional traz ao homem o perfume de Deus, abrindo o apetite de nossa alma para a plena glorificação (cf. Rm 8,17).

Caros irmãos, esta Palavra mais uma vez ratifica em nossa vida, que mesmo diante de tantas “perplexidades” que nos abordam cotidianamente, acreditamos em um Deus que não é distante e nem é inacessível, nem está atrás de grandes cortinados cheio de rendas, brilhos e holofotes. Um Deus simples que não nos criou órfãos. Ao contrário, Ele é a Paternidade, a Filiação e o Amor, que ao seu modo oferece aos homens a vida plena e verdadeira, alicerçada na justiça e na retidão.

Deus sabe o quanto queremos compreender a nossa vida Nele. Já que não existe vida fora do seu Criador, que Ele nos ajude a compreender nossa vida em comunhão com esta grande família, que é a Igreja. Para assim reconhecemos que todos somos “filhos” (“herdeiros”) de um único Reino. Que nas lutas do dia-a-dia simplesmente emanem de nossos lábios: “Abba”, como gesto de uma expressão íntima, que provém de uma relação marcada pelo amor, pela confiança e pela ternura. Que em nossa fragilidade nunca ousemos abarcar nosso Deus. Mas, que deixemos ser envoltos por tão grande mistério da Trindade, afim de que nossa vida seja um eterno louvor a Deus. Assim seja!

Abraços musicais de
Wallison Rodrigues

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