Por Redação A12 Em Redação A12 Atualizada em 12 MAR 2020 - 14H18

Na Semana da Mulher, Redação A12 ao vivo discute 5 tipos de violência

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, as jornalistas do A12 se reuniram para debater os cinco tipos de violência contemplados pela Lei Maria da Penha, entre outros aspectos.

Mediado pela jornalista Elisangela Cavalheiro, o bate-papo contou com a presença de outras três jornalistas do A12: Nataly Oliveira, Luciana Gianesini e Polyana Gonzaga.

Renan Ventura
Renan Ventura
As jornalistas do A12: Luciana Gianesini, Nataly Oliveira, Elisangela Cavalheiro e Polyana Gonzaga


:: "NÃO É VOCÊ, É ELE!"

O projeto desenvolvido pela jornalista e analista de mídias sociais Nataly Oliveira trouxe, em cinco episódios ao longo da semana, vídeos informativos com depoimentos e testemunhos de mulheres que atuam diretamente no combate à violência contra a mulher: a psicóloga Denise Procópio, de Lorena (SP); a delegada Rose, primeira delegada da primeira Delegacia da Mulher criada no mundo; a Irmã Rose Bertoldo, da Rede um Grito pela Vida e ativista na causa do combate ao tráfico e exploração sexual de pessoas e, por fim, a psicóloga e escritora Goretti Dias, de João Pessoa (PB).

Como se manifesta a violência contra a mulher?

Segundo a Lei Maria da Penha, são cinco os principais tipos de violência cometidos contra as mulheres: violência moral, psicológica, física, sexual e patrimonial. Nataly Oliveira explicou, em linhas gerais, como nasceu o projeto "Não é você, é ele!" e também comentou o fato de serem crescentes os episódios dessa violência, cujo único motivo é a vítima ser mulher.

A respeito da violência psicológica, a psicóloga Denise Procópio aborda no vídeo justamente essa situação, em que o homem subjuga a mulher unicamente por sua condição feminina. Nataly também falou sobre o crescimento do número de feminicídios, que são os assassinatos cometidos contra mulheres, também por sua condição. Ela explica que, somente em 2019, foram 1.314 mulheres mortas no Brasil, o que dá uma média de 1 caso a cada 7 horas, um aumento de 7% em relação a 2018. Ela considera que aumento desses casos mostra, justamente, a necessidade de se falar sobre isso.

Um dos tipos mais comuns de crime contra a mulher, a violência moral também é tratada no vídeo pela psicóloga Denise Procópio. Sobre isso, discutiu-se a sutileza com que os primeiros sinais de violência aparecem, passando da sedução ao controle e, por fim, à violência propriamente dita. "Como mulher, eu vejo que esse tipo de situação é mais comum do que a gente imagina. Deve ser quase certo dizer que se a gente não passou, alguém que conhecemos já passou por isso muito perto de nós", afirma Nataly.

A psicóloga também comenta no vídeo um dado alarmante sobre a violência contra a mulher: os crimes de feminicídio, em grande parte, são cometidos pelo próprio companheiro, marido, namorado, padrasto... A jornalista e revisora Luciana Gianesini ressalta, a esse respeito, que precisamos saber educar as novas gerações: 

"É muito comum, hoje em dia, vermos principalmente na TV, muitas cenas de violência. Para não naturalizarmos ou banalizarmos essa questão, é importante, sim, haver diálogo em casa, mostrando que é uma realidade presente e, infelizmente, comum, mas ressaltando que é algo grave, sério e errado".

Outra forma de violência contra a mulher, tipificada pela Lei Maria da Penha, trata da violência patrimonial. Esta, talvez, seja a porta de entrada para toda uma cadeia de violências mais graves e que podem, inclusive, culminar com o feminicídio. A revisora do A12 explica que essa forma de violência também começa de uma forma muito sutil, com o impedimento do uso de um bem do casal, como o carro, por exemplo, chegando até a casos mais graves, como atear fogo na casa ou qualquer outra coisa que impeça que a mulher usufrua de um bem que possui, sozinha ou em comunhão com o cônjuge.

:: Valores em ruínas

Delegacias da Mulher: um avanço com sabor amargo

No vídeo, a delegada Rosemary Corrêa, conhecida como delegada Rose, partilhou um pouco de como é ser reconhecida como pioneira no atendimento policial especializado em violência contra a mulher. Atuando na área desde 1985, a delegada conta que as delegacias da mulher se tornaram um avanço para o mundo. Ela destaca que, ainda hoje, é preciso que a mulher utilize esse serviço, vença o medo e denuncie.

Sobre a violência sexual, um crime que mostra a gritante desigualdade entre homens e mulheres, temos, por exemplo, situações como quando a mulher é obrigada a participar de relação sexual não desejada, ou a se prostituir, fazer aborto, usar anticoncepcionais contra a sua vontade ou quando a mesma sofre assédio sexual, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força.

Polyana Gonzaga, editora de conteúdo do A12, salienta que, dentre as demais violências, essa é a que mais fragiliza a mulher e a que mais exige da mulher um posicionamento, mesmo diante, muitas vezes, da vergonha, do medo e da dificuldade em denunciar.

A respeito desse tema, em particular, ouvimos também no vídeo o relato da Irmã Rose Bertoldo, que atua na Rede "Um grito pela vida" e defende a causa das pessoas vítimas de violência e exploração sexual. Ela falou acerca da naturalização do abuso, da exploração sexual e do tráfico de mulheres e crianças, especialmente em áreas pobres do país.

Por fim, com a mensagem "Menina, levanta-te!", Goretti Dias, psicóloga em João Pessoa (PB), trouxe dicas de como seguir em frente e ter esperança, seja na prevenção ou na superação de situações de violência.

Confira as entrevistas e depoimentos, na íntegra, no vídeo abaixo:

IMPORTANTE: Se você vive alguma situação de violência ou conhece alguém que esteja passando por isso, procure ajuda! DISQUE 180 e denuncie!


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