Na manhã da última sexta-feira (24), o Papa Leão XIV recebeu o cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, e autorizou a publicação dos decretos que reconhecem o martírio de nove salesianos poloneses, mortos por causa da fé entre 1941 e 1942 nos campos de concentração de Auschwitz e Dachau, e de dois padres da antiga Tchecoslováquia, assassinados entre 1951 e 1952 durante a perseguição religiosa promovida pelo regime comunista após a Segunda Guerra Mundial.
O Papa também aprovou os decretos que reconhecem as virtudes heroicas de quatro Servos de Deus, que agora passam a ser chamados de Veneráveis: Maria Evangelista Quintero Malfaz, religiosa cisterciense; Angelo Angioni, padre e fundador do Instituto Missionário do Imaculado Coração de Maria; José Merino Andrés, sacerdote dominicano; e Joaquim da Rainha da Paz, frade carmelita descalço.
Os nove salesianos poloneses são: Jan Świerc, Ignacy Antonowicz, Ignacy Dobiasz, Karol Golda, Franciszek Harazim, Ludwik Mroczek, Włodzimierz Szembek, Kazimierz Wojciechowski e Franciszek Miśka.
Dedicados à missão pastoral e educacional, foram perseguidos e presos pelos nazistas durante a ocupação da Polônia iniciada em 1939. Detidos apenas por serem sacerdotes católicos, enfrentaram condições extremamente cruéis nos campos de concentração de Auschwitz e Dachau.
Mesmo sob tortura e humilhações, mantiveram viva a fé e ofereceram apoio espiritual aos outros prisioneiros. Sabendo que seu trabalho religioso era visto como ameaça ao regime, seguiram firmes em sua vocação, aceitando com coragem o risco de prisão e morte.
Os Padres Jan Bula e Václav Drbola, da Diocese de Brno, foram mortos em Jihlava por causa do ódio à fé. Considerados perigosos pelo regime comunista que dominava a Tchecoslováquia desde 1948, ambos foram presos e falsamente acusados de envolvimento no assassinato de oficiais comunistas em Babice.
Bula foi detido em abril de 1951 e executado em maio de 1952; Drbola, preso em junho de 1951, foi morto em agosto do mesmo ano. Vítimas de uma armadilha com falsas testemunhas, sofreram tortura e foram forçados a confessar crimes que não cometeram. Mesmo diante da perseguição e da dor, aceitaram seu destino com fé, como mostram suas cartas e o testemunho do confessor de Bula.
Maria Evangelista Quintero Malfaz: nascida em 1591 em Cigales, Espanha, tornou-se religiosa cisterciense após ficar órfã. Ingressou no Mosteiro de Santa Ana, em Valladolid, onde se destacou pela dedicação às tarefas e pelas experiências místicas que relatava sob orientação espiritual. Em 1632, foi enviada ao novo mosteiro em Casarrubios del Monte e tornou-se abadessa em 1634, promovendo uma vida de oração e contemplação. Continuou a ter experiências místicas visíveis, e faleceu em 27 de novembro de 1648, após uma grave doença. Seus restos mortais foram encontrados incorruptos cinco anos depois, aumentando sua fama de santidade. Sua vida foi marcada por profundo diálogo com Deus, prática das virtudes teologais, paciência diante das dificuldades e caridade humilde em cumprir a vontade divina.
Angelo Angioni: sacerdote diocesano nascido em 14 de janeiro de 1915 em Bortigali, Sardenha, cresceu em uma família numerosa e profundamente religiosa. Ordenado em 1938, atuou como vigário e pároco por dez anos antes de se tornar reitor do Seminário de Ozieri, onde fundou uma comunidade de sacerdotes oblatos voltada para missões, inspirado pelo Beato Paolo Manna. Como missionário fidei donum, foi enviado a São José do Rio Preto, onde se dedicou à pastoral, à educação e à ação social, criando uma escola paroquial e fundando o Instituto Missionário do Imaculado Coração de Maria. Sua atuação resultou na construção de igrejas, casas de retiro, espaços para idosos e uma gráfica para materiais informativos. Também criou um Instituto de Ciências Religiosas. Após dois derrames, em 2000 e 2004, ficou debilitado e faleceu em 15 de setembro de 2008. Viveu com simplicidade, refletindo seu amor a Deus e seu compromisso com a missão pastoral.
José Merino Andrés: nasceu em Madri, Espanha, em 23 de abril de 1905, e desenvolveu sua vocação religiosa por meio da vida paroquial e da Ação Católica. Ingressou no convento dominicano de San Esteban, em Salamanca, em 1933, sendo ordenado sacerdote seis anos depois. Atuou nos conventos de La Felguera e Nuestra Señora de Atocha, dedicando-se intensamente à pregação e aos sacramentos. Em 1949, foi enviado ao México para missões populares e, ao retornar à Espanha, tornou-se mestre de noviços em Palência, onde formou mais de 700 jovens entre 1950 e 1966. Mesmo com a saúde debilitada, seguiu pregando até sua morte em 6 de dezembro de 1968. Destacou-se por sua pregação vibrante, profunda vida de oração, esperança firme, confiança na misericórdia divina e devoção à Virgem Maria. Viveu com humildade, caridade e obediência, seguindo o espírito de pobreza evangélica.
Gioacchino della Regina della Pace: batizado como Leone Ramognino, nasceu em Sassello, Savona, em 12 de fevereiro de 1890, em uma família profundamente religiosa. Trabalhou como carpinteiro e serviu como cabo na Primeira Guerra Mundial, sendo condecorado como Cavaleiro de Vittorio Veneto por sua atuação na construção de pontes e canais. Após a guerra, engajou-se em atividades paroquiais e sociais, ajudando na fundação de instituições voltadas à educação e assistência. Em 1927, tornou-se guardião do Santuário da Rainha da Paz no Monte Beigua, onde viveu como eremita por cerca de dez anos, acolhendo peregrinos e aprofundando sua vocação religiosa. Ingressou no convento dos Carmelitas Descalços em 1951 e permaneceu como custódio do santuário até sua morte, aos 95 anos, em 25 de agosto de 1985. Dedicava-se intensamente à oração, à meditação e à devoção mariana, sendo reconhecido por sua caridade, humildade e exemplo espiritual, carinhosamente chamado pelo povo de "Ninu u santu".
:: Santos e beatos estão no céu? Entenda a diferença!
Fonte: Vatican News
O compromisso da Santa Sé com a proteção de crianças
Santa Sé intensifica esforços na ONU para solucionar o caso das crianças ucranianas deportadas em meio à guerra da Ucrânia, com Papa Leão XIV liderando a ação.
Ciclone atinge a Ásia e comunidade católica acolhe vítimas
Ciclones atingem Sri Lanka, Tailândia e Indonésia, deixam centenas de mortos e mobilizam a Igreja, que acolhe desabrigados e oferece apoio material e espiritual.
Por que um Papa viaja?
Diante da 1ª viagem apostólica do Papa Leão XIV, entenda por que é importante que o Santo Padre faça viagens e encontros com líderes mundiais e fiéis de todo mundo
Boleto
Carregando ...
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Carregando ...
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.