Por Redação A12 Em Opinião

A sedução de uma Igreja autorreferencial

espelho

Uma Igreja autorreferencial é aquela que se coloca no centro de si mesma. Essa parece ser a prática de algumas pastorais, grupos e movimentos. Promovem encontros, eventos, homenagens, shows e até missas para congregar as pessoas dos mesmos círculos de interesses e passar momentos agradáveis que beiram ao narcisismo. Isso é sedutor.

Alguns meios de comunicação católicos também caem nessa emboscada. Como forma de incentivo para alavancar audiência, criam prêmios, indicam os merecedores da homenagem, selecionam os vencedores para, em seguida, produzirem a cerimônia de entrega dos troféus e se congratularem com palmas, fotos e louvores pelo feito. Haja vaidade!!!

Toda essa bajulação contribui em que para a evangelização ou para tornar mais conhecido e amado o projeto do Reino de Deus revelado por Jesus? Quem de fato ganha com tanto incenso?

Na vida de Jesus fica claro que, quando queriam aclamá-lo pelos sinais que realizava, ele sai de mansinho. Ao contrário disso, a sociedade do espetáculo e das estrelas precisa de reconhecimento, de prêmios, de aparecer e vender mais. Tudo isso alimenta o exibicionismo e a ostentação que pulveriza as redes sociais de fotos, muitas vezes, o único conteúdo. Mas essa não é a prática de Jesus, nem faz parte das orientações encontradas no Evangelho. Portanto, as estrelas católicas que se cuidem para não reforçar a imagem de uma Igreja que só pensa em si mesma, sem se importar com o anúncio e o testemunho de Cristo morto e ressuscitado.

O papa Francisco ainda quando era cardeal, em uma intervenção nas Congregações Gerais antes do Conclave (fevereiro 2013), assim se expressou:

“A Igreja, quando é autorreferencial, sem se dar conta, crê que tem luz própria; deixa de ser o mysterium lunae e dá lugar a esse mal tão grave que é a mundanidade espiritual” (segundo De Lubac, o pior mal que pode acontecer à Igreja). Há duas imagens de Igreja: a Igreja evangelizadora que sai de si ou a Igreja mundana que vive em si, de si, para si”, com títulos, competições para dar-se glória uns aos outros.

Esta reflexão é muito apropriada para iluminar nossos projetos e ações na Igreja.

Jaime Carlos Patias, imc
Mestre em Comunicação e Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária

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