Por Redação A12 Em Opinião

Meu filho está usando drogas, o que faço?

O consumo de drogas é um problema presente em muitos lares. Em geral, o primeiro contato com as drogas acontece no início da adolescência, e a maconha é a droga de maior consumo. 

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Isso se deve, em grande medida, à ansiedade, estresse e busca de novas experiências, que caracterizam a adolescência. A curiosidade, desejo de pertencimento e vontade de fugir da realidade, bem como a instabilidade familiar, também são fatores que contribuem para o uso de drogas. 

Como saber se o meu filho usa drogas? 

Os primeiros indícios são as mudanças de comportamento: irritabilidade; perda do sono ou períodos prolongados de sono; apetite voraz ou falta de fome; abandono dos estudos ou responsabilidades em casa; ruptura de acordos de convivência familiar; saídas de casa sem aviso; mudança ou perda de amigos (os que não consomem drogas se afastam dos que consomem, é um fenômeno de marginalização social). 

Que consequências isso pode trazer? 

Ao ter uma relação direta com substâncias proibidas, a pessoa acaba vivendo situações de risco, porque a percepção espaço-temporal muda, colocando-a constantemente em perigo de sofrer acidentes, overdose, perda da liberdade, extorsão, morte. 

Como isso afeta a família? 

O uso de drogas pode estar associado a algum transtorno de personalidade, o que provoca grande instabilidade, perturbando muitas áreas da vida da pessoa (formativa, laboral, afetiva, social) e daqueles com quem ela convive. 

Além disso, todos os comportamentos associados, antes mencionados, são complexos para a família, porque são difíceis de entender e, portanto, de modificar. 

Se o meu filho não assume que está usando drogas, o que devo fazer? 

Ele dificilmente vai aceitar que está usando drogas. O ser humano utiliza inconscientemente a negação como mecanismo de defesa; se os pais fazem esta afirmação, devem ter cuidado para não criar um ambiente de perseguição ou julgamento, pois isso intensifica os mecanismos de defesa do filho. 

É preciso procurar um profissional para o tratamento de qualquer situação relacionada ao uso, abuso ou dependência de substâncias químicas. 

O que posso fazer para evitar ou corrigir esta situação? 

- Informe-se amplamente sobre as drogas, seus efeitos e sobre as de maior consumo em sua comunidade. 
- Reflita sobre qual será sua reação se o seu filho lhe contar que usa drogas. 
- Não acuse seus filhos de um comportamento que você desconhece; pode ser o começo de um enfrentamento que não resolverá nada. Além disso, se você estiver errado(a), a relação ficará prejudicada. 
- Procure um momento adequado para tratar do tema, sem interrupções. 
- Não aborde o tema quando achar que seu filho está sob o efeito de alguma droga. 
- Pergunte a opinião do seu filho sobre as drogas e escute com respeito o que ele lhe disser. 
- Se você acha que seu filho está mentindo com relação às drogas, tente não ficar bravo(a). Procure abordar o assunto em termos de eficácia: pense em que comportamento seu pode ser mais útil para resolver o problema. 
- Deixe bem claro que o que lhe preocupa é a saúde e o bem-estar do seu filho.
- Garanta que seu filho saiba que você está aí para ajudá-lo a superar qualquer dificuldade que se apresentar. 
- Deixe claro que comportamentos você considera aceitáveis e que atitudes você não está disposto(a) a tolerar. 
- Não recorra às ameaças; ainda que pareçam uma solução rápida a curto prazo, na prática, não dão os resultados esperados. 
- Assegure que seu filho assume a responsabilidade pelos seus atos e as consequências que eles possam trazer. 
- O mais importante é mostrar ao seu filho a legítima preocupação que você tem e o amor que você sente por ele.
- Finalmente, ofereça-lhe sua ajuda e peça apoio a profissionais (professores, médicos, psicólogos). 

Nestas circunstâncias, como a fé em Deus pode ajudar os pais? 

É prioritário que as famílias cresçam na fé, gerem ambientes saudáveis e de espiritualidade, que favoreçam o desenvolvimento dos filhos. 

O problema da dependência química exige uma resposta biopsicossocial e espiritual, mas esta última pode ser determinante, porque vai ao fundo do problema. 

O âmbito espiritual tem a ver com as questões mais íntimas do ser humano, como os sentimentos e a sensibilidade, e com aspectos tão profundos como a esperança e a fé, permitindo a realização como pessoas. 

A vida espiritual é o que nos dá fortaleza para enfrentar os desafios da vida, aceitando o esforço e o sacrifício que forem necessários, e é isso que nos motiva a viver uma vida digna em liberdade, longe da escravidão das drogas.

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