Santo Padre

Dom Cláudio Hummes fala sobre o primeiro ano do pontificado do Papa Francisco

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Escrito por Elisangela Cavalheiro

13 MAR 2014 - 12H07 (Atualizada em 07 MAR 2025 - 09H35)

Recordamos nessa quinta-feira (13), o primeiro aniversário da eleição do Papa Francisco. No dia 13 de março de 2013, a Igreja conhecia o novo pontífice.

Pela primeira vez, em séculos de pontífices europeus, um latino-americano assumiu a Cátedra de Pedro. No primeiro encontro com os fiéis depois de ter sido eleito papa, na bênção chamada ‘Urbi et orbi’, o recém-eleito brincou dizendo que os cardeais que o elegeram pontífice o buscaram “quase no fim do mundo”. Ali também fez um gesto emblemático: Inclinou-se pedindo a bênção do povo para o seu ministério.

Para relembrar esse momento especial, o Portal A12 conversou por telefone com o cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito da Arquidiocese de São Paulo e amigo de longa data do Papa Francisco.

Na entrevista, Dom Cláudio Hummes recordou o momento em que esteve ao lado do Papa, na Varanda da Basílica de São Pedro.

“É uma recordação muito viva e que vai ficar no meu coração para sempre. Foi um momento tão feliz para todo o mundo e para a Igreja, e poder estar ao lado dele naquele momento, naquele instante, foi realmente extraordinário”, contou dom Cláudio.

OUÇA A ENTREVISTA COMPLETA COM DOM CLÁUDIO HUMMES:  

O cardeal assinalou ainda a surpresa pelo convite do amigo para ficar ao seu lado: 

“Preparando a procissão dos cardeais junto com ele para irmos à janela na Praça de São Pedro, onde ele ia aparecer para o povo, ele de repente me acenou. Eu estava no meu lugar, onde durante o Conclave sempre sentava, ao lado dele, e ele me acenou e disse: 'Vem, Dom Cláudio, porque eu quero que você também esteja ao meu lado nesse momento'. Eu fiquei muito surpreso, porque não é costume, não é segundo o ritual que cardeais acompanhem o Papa neste momento de sair à janela, e ele quis”.

Ao longo dos doze meses de pontificado, o Papa Francisco demonstrou uma personalidade simples e muito humana, o que cativou profundamente os fiéis. O Cardeal Marc Ouellet disse recentemente que o jeito dele de se comunicar representa um “evento extraordinário de evangelização”. Dom Cláudio comentou na entrevista que a evangelização não existe sem afeto e sem essa atenção para com o outro.

“O que todo aquele que escuta o Evangelho deve ver e sentir é que aquele que anuncia é uma pessoa que tem afeto no coração, que tem amor, que tem misericórdia, que se aproxima das pessoas, que é capaz de perdoar, de abraçar, enfim de se solidarizar com os mais sofridos. Nesse sentido, a misericórdia faz parte essencial da evangelização, e esse Papa mostra isso constantemente. Em primeiro lugar, ele até mostra isso primeiro como modelo e depois ele explica. Normalmente acontece que primeiro a gente fala e depois procura fazer. Ele é ao contrário, ele primeiro faz, ele mesmo fazO papa insiste muito que hoje a Igreja, mais do que nunca, precisa ser misericordiosa. Não apenas anunciar a misericórdia, mas ser ela misericordiosa”.

Desde o primeiro dia do seu pontificado, o Papa Francisco ressalta a importância de uma ‘cultura do encontro’.  Sua mensagem tem demonstrado a ligação entre palavra e gesto, anúncio e testemunho. Essa prática para Papa Francisco, segundo dom Cláudio, tem que partir da Igreja. “A Igreja tem que ser um exemplo para o mundo para criar essa cultura do encontro”, destacou o cardeal.

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Por Elisangela Cavalheiro, em Santo Padre

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