Após a oração do Angelus, na tarde deste primeiro Domingo da Quaresma (18), o Papa Francisco, cardeais residentes em Roma, chefes dos dicastérios e os superiores da Cúria Romana iniciaram um retiro quaresmal. De acordo com a Sala de Imprensa do Vaticano, até esta sexta-feira (23), os compromissos do Santo Padre estão suspensos, inclusive a Audiência Geral de quarta-feira (21).
"Esta tarde, juntamente com os colaboradores da Cúria, iniciaremos os Exercícios Espirituais. Convido as comunidades e os fiéis a dedicarem, durante este tempo de Quaresma e ao longo deste ano de preparação ao Jubileu, que é o 'Ano da Oração', momentos específicos para recolher-se na presença do Senhor".
No prefácio do livro "Primeiro, pertencer a Deus", de Austen Ivereigh, o Papa ressaltou que a Igreja Católica nos ajuda de muitas maneiras a combater a tentação em nos distanciar de Deus e a viver mundanamente na ilusão de sermos soberanos e autossuficientes. As tradições e ensinamentos, como as práticas de oração, confissão e celebrar regularmente a Eucaristia são canais da graça que são abertos para nós recebermos os dons que Deus Pai quer derramar em nós.
"Os retiros - para recarregar nossas baterias - tornaram-se bastante populares em meio às tensões e pressões de uma sociedade obsessivamente competitiva. Mas um retiro cristão é muito diferente de férias para o 'bem-estar'. O foco não está em nós, mas em Deus, o Bom Pastor que, em vez de nos tratar como se fôssemos máquinas, responde às necessidades mais profundas de seus filhos amados", diz o Santo Padre.

Amor e serviço
Francisco detalha que Jesus vem ao nosso encontro, quebra nossas correntes para que possamos caminhar com ele como discípulos e companheiros. Amar e servir são duas pedras angulares dos Exercícios Espirituais, e dá o exemplo de Jesus dizendo ao paralítico de Betesda "Levanta-te, pega a tua maca e anda!" (Jo 5, 1-16), quando o Senhor dá uma ordem a ser obedecida, mas ao mesmo tempo é o Seu convite mais gentil e amoroso.
"Uma vez que ele se abriu para o poder salvador de Jesus, sua paralisia - a interna e a externa - foi curada. Ele se levanta e caminha, louvando a Deus e trabalhando para o seu Reino, liberto do mito da autossuficiência e aprendendo a cada dia a depender mais da sua graça. E é dessa forma que ele se torna um discípulo, capaz de enfrentar melhor não apenas os desafios deste mundo, mas também de desafiar o mundo a agir de acordo com a lógica da doação e do amor".
O Papa ainda diz que em seu pontificado encoraja a Igreja a redescobrir o dom de sua tradição de sinodalidade, porque quando se abre para o Espírito que fala no Povo de Deus, toda a Igreja se levanta e anda.
"Este não é o momento de se recolher e fechar a porta. Vejo claramente que o Senhor está nos chamando para sair de nós mesmos, para nos levantarmos e caminharmos. Ele nos pede para não desviar o olhar das dores e lágrimas do nosso tempo, mas para entrar nelas, para abrir os canais de sua graça. Cada um de nós, em virtude do nosso batismo, é um desses canais. O ponto é abri-los e mantê-los abertos".
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